
Relatos de banqueiros, autoridades e fontes políticas em Brasília apontam para supostas pressões exercidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre o Banco Central (BC) e a Polícia Federal (PF) com o objetivo de influenciar o destino do Banco Master. As alegações sugerem que Moraes teria buscado evitar a liquidação da instituição financeira e interferir nas investigações em curso, em meio a um escândalo de fraude bilionária. Tanto Moraes quanto as instituições envolvidas negam veementemente qualquer intervenção indevida.
Contexto do escândalo no Banco Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo BC em 18 de novembro de 2025, após a PF prender Vorcaro e outros executivos por suspeita de fraudes em repasses ao Banco de Brasília (BRB), totalizando R$ 12,2 bilhões. Vorcaro foi solto posteriormente e monitorado por tornozeleira eletrônica.
Alegações de pressão sobre o Banco Central
As pressões atribuídas a Moraes teriam ocorrido antes da liquidação, com o ministro supostamente contatando o presidente do BC, Gabriel Galípolo, em pelo menos três ligações e uma reunião presencial para questionar o andamento da venda do Master ao BRB. Relatos indicam que Moraes recuou ao tomar conhecimento da magnitude da fraude, mas as conversas já haviam gerado rumores intensos no mercado financeiro de Faria Lima e em círculos políticos.
Supostas Interferências na Polícia Federal
Banqueiros e autoridades consultados por jornalistas afirmam que Moraes também manifestou interesse à PF sobre o ritmo das investigações contra o banco. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, negou qualquer conversa com o ministro sobre o caso, declarando: “O ministro Alexandre de Moraes nunca falou comigo sobre esse assunto”. Rodrigues ainda informou o presidente Lula sobre os rumores, recebendo a resposta: “Faça o que for necessário”.
Nota Oficial e negativas de Moraes e BC
Em nota divulgada em 23 de dezembro, Moraes e o BC negaram as alegações de pressão. O ministro esclareceu que as reuniões com Galípolo – duas no total, segundo versão atualizada da nota – trataram exclusivamente dos efeitos da Lei Magnitsky, sanção imposta pelos Estados Unidos a Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, por supostas violações de direitos humanos.
“Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master”, afirmou a assessoria do STF.
Moraes também negou ligações telefônicas ou visitas ao BC, e o escritório de advocacia de sua esposa – que tem um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master – não atuou na operação de venda perante o BC.
Inconsistências que alimentam suspeitas
No entanto, inconsistências nas agendas e notas oficiais alimentam as suspeitas. Uma reportagem apontou que Moraes alterou sua nota sobre as reuniões e errou datas, enquanto Galípolo não registrou os encontros em sua agenda oficial. Colunistas relataram que os rumores se espalharam rapidamente, com fontes em Faria Lima expressando perplexidade sobre o envolvimento de um ministro do STF em assuntos bancários. A colunista do “O Globo”, citando seis fontes, descreveu contatos repetidos de Moraes com Galípolo, incluindo seis ligações em um único dia.
Conflito de interesses e repercussão política
Críticos veem o caso como um potencial conflito de interesses, dado o contrato milionário do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, com o banco. Políticos oposicionistas, como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e Alessandro Vieira (MDB-SE), pediram investigações e reformas no Judiciário. Um pedido de impeachment do Ministro Alexandre de Moraes foi protocolado no senado.
Em redes sociais como o X (antigo Twitter), postagens repetidas de usuários destacam as reportagens, ligando o caso a outros ministros do STF, como Dias Toffoli, que teria pegado carona em jatinho com um advogado do Master e manteve uma acareação entre envolvidos na véspera de 2026.