
Em um evento que levanta questionamentos sobre proximidade entre o Judiciário e o setor financeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, participou de um jantar na luxuosa mansão de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em Brasília. O encontro ocorreu no último trimestre de 2024 e reuniu cerca de 20 convidados, incluindo políticos influentes do Centrão, deputados e ex-ministros do governo Bolsonaro, todos do sexo masculino.
A mansão, localizada no Lago Sul, é avaliada em R$ 36 milhões e possui 1.700 metros quadrados de área construída. Vorcaro era conhecido por promover jantares para autoridades e líderes partidários nessa residência, criando um ambiente de conversas amigáveis. Moraes compareceu ao evento desacompanhado de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, cujo escritório de advocacia mantinha um contrato milionário com o Banco Master na época.
Detalhes do Contrato e Contexto
O contrato entre o escritório Barci de Moraes — do qual Viviane e dois filhos do casal participam — e o Banco Master era no valor de R$ 3,6 milhões mensais, com duração de 36 meses, totalizando potencialmente R$ 129 milhões. O acordo visava à defesa do banco junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional. Documentos relacionados foram encontrados no celular de Vorcaro após sua prisão na Operação Compliance Zero, que investigou fraudes no banco estimadas em R$ 12,2 bilhões.
Moraes, o único ministro do STF presente no jantar, manteve contatos posteriores com Gabriel Galípolo, pressionando o presidente e diretores do Banco Central, sobre a possível venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Esses contatos incluíram telefonemas e um encontro presencial, nos quais Moraes expressou simpatia por Vorcaro, alegando que o banco era alvo de concorrentes maiores. No entanto, ele reconheceu que as fraudes impediam a aprovação da transação. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central, impactando o contrato.
Reações e Implicações
A oposição ao governo Lula vê no episódio uma possível brecha para denúncia por crime de responsabilidade contra Moraes, devido ao potencial conflito de interesses. Moraes afirmou que sua reunião com Galípolo tratava da Lei Magnitsky, mas o contexto do jantar e dos contratos levanta debates sobre transparência.
Nas redes sociais, usuários e perfis conservadores compartilharam a notícia, destacando a mansão e questionando a proximidade entre o ministro do STF e o banqueiro. A informação foi inicialmente divulgada pela coluna de Lauro Jardim no O Globo e repercutida por veículos como O Antagonista, InfoMoney e Revista Oeste.