Varejo em transformação

O que a C&A vai fazer nas lojas está chamando atenção do mercado

Com design inspirado na Uniqlo, varejista aposta em provador inteligente e tecnologia para impulsionar crescimento.

O que a C&A vai fazer nas lojas está chamando atenção do mercado
  • Nova loja será mais tecnológica e consultiva; Totens de autoatendimento e etiquetas inteligentes eliminam filas e focam na experiência.
  • Empresa projeta alta nas vendas por metro quadrado; Meta é reformar 20 lojas ainda em 2025 e abrir outras 10 já com o novo formato.
  • Lucro salta 138% no 2º tri; Resultado veio bem acima do esperado, puxado por vendas fortes e maior conversão nas lojas físicas.

A C&A anunciou nesta quinta-feira (7) um novo conceito de loja no Brasil, com foco total na experiência do consumidor e na integração entre moda e tecnologia. A novidade chega após oito trimestres consecutivos de crescimento das vendas em mesmas lojas.

Batizado internamente como “Energia C&A”, o novo modelo trará funcionalidades inéditas, como totens de autoatendimento nos provadores e self-checkouts com etiquetas de radiofrequência. A proposta é reduzir filas, liberar os vendedores para atendimento mais consultivo e facilitar a jornada do cliente.

Primeira loja será inaugurada ainda este mês

A primeira loja com o novo conceito abrirá em duas semanas no Shopping Center Norte, em São Paulo. Segundo o CEO Paulo Correa, a companhia contratou o escritório Gensler, de San Francisco, responsável por projetos da NBA Store e da H&M, para desenvolver um modelo visualmente mais moderno e eficiente.

Além disso, o objetivo da C&A é reformar 20 lojas até o fim do ano, todas já com o novo formato. Em 2026, o plano é ampliar esse número para 30 unidades. O novo modelo também será adotado em todas as novas lojas da rede.

Portanto, de acordo com Correa, a expectativa é que o novo conceito aumente significativamente as vendas por metro quadrado. No segundo trimestre, esse indicador já subiu 17,3%, antes mesmo da implementação do novo formato.

Foco em experiência e conversão de vendas

As mudanças fazem parte de uma estratégia contínua da C&A para melhorar a experiência do consumidor nas lojas físicas. A companhia realizou diversas pesquisas com clientes e percebeu a necessidade de reorganizar o sortimento de produtos e melhorar a navegação no ponto de venda.

Ademais, Correa explica que os produtos agora ficam agrupados por estilo e finalidade. Isso reduz o tempo de busca e aumenta a conversão. “Se a cliente procura uma calça mom, ela vai direto para onde estão todas as opções, escolhe a cor e vai ao provador, sem perder tempo”, exemplifica.

Desse modo, a empresa também decidiu apostar em um ambiente mais tecnológico. Por isso, cada loja reformada terá investimento superior ao padrão. Ainda assim, o CEO acredita que o aumento no faturamento por metro quadrado compensará esse custo adicional.

Resultados surpreendem e satisfação dispara

O novo conceito chega no embalo de um resultado financeiro expressivo. A C&A registrou lucro líquido de R$ 200 milhões no segundo trimestre de 2025, crescimento de 138% em relação ao mesmo período de 2024. O número ficou bem acima do consenso de mercado, que projetava R$ 120 milhões.

Além disso, para Correa, o segredo do desempenho está na consistência da estratégia. “Não estamos falando de um trimestre isolado. Estamos entregando crescimento sólido. A satisfação do cliente subiu 10 pontos em um ano”, afirmou.

Por fim, segundo o executivo, a C&A encontrou um modelo que combina eficiência, modernidade e foco no cliente. “A loja é mais rebuscada, então custa um pouco mais, mas o retorno é altíssimo. Estamos prontos para escalar”, concluiu.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.