
- Plano prioriza produção, com foco em Búzios e novas plataformas
- Petrobras avalia reduzir capex para US$ 106 bi e revisa projeções do Brent
- Cenário eleitoral pressiona estatal e aumenta incerteza sobre investimentos
A Petrobras (PETR3; PETR4) avalia reduzir seus investimentos para US$ 106 bilhões no plano estratégico de 2026 a 2030, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. O valor representa queda de 4,5% frente aos US$ 111 bilhões previstos no plano anterior e reflete a expectativa de preços mais baixos para o petróleo nos próximos anos.
A estatal afirmou que o plano ainda passa por revisão e será analisado pelo conselho em 27 de novembro, antes da apresentação ao mercado. O capex preocupa investidores por afetar dividendos e o fluxo de caixa futuro.
Cenário de petróleo mais barato pressiona números
As discussões internas ocorrem em meio à queda do Brent, hoje negociado perto de US$ 63, muito abaixo da projeção de US$ 83 usada no plano atual da companhia. Assim, a administração trabalha com uma faixa entre US$ 60 e US$ 65 para 2026-2030, o que obrigaria ajustes relevantes nos investimentos.
Ainda que o número final possa mudar, analistas já esperam moderação. Um relatório do Jefferies, divulgado em 7 de novembro, apontou espaço para um corte entre 5% e 10% no capex, o que ajudaria a manter o dividendo anual entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões, caso o petróleo permaneça no intervalo projetado.
Entretanto, parte do mercado mantém ceticismo. A Petrobras surpreendeu positivamente no terceiro trimestre ao reportar capex acima do esperado devido ao avanço das novas plataformas, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de cortar gastos sem comprometer produção.
Pressão política aumenta em ano eleitoral
O tema dos investimentos ganhou peso adicional porque o Brasil terá eleições presidenciais no ano que vem. Tradicionalmente, a Petrobras enfrenta pressões para ampliar gastos, impulsionar obras e reforçar a geração de empregos antes do pleito, cenário que pode colidir com a estratégia de moderação.
A estatal já afirmou neste ano que não espera dividendos extraordinários devido ao cenário mais fraco do petróleo. Por isso, qualquer redução do capex precisa equilibrar viabilidade financeira e expectativas de distribuição, mantendo a política atual intacta.
Apesar das discussões, a companhia reforçou em webcast recente que não pretende alterar o teto da dívida de US$ 75 bilhões nem a política de dividendos. Essa sinalização tenta reduzir ruídos sobre a governança e limitar especulações durante o período de revisão do plano.
Plano prioriza produção e aceleração de novos campos
Mesmo com o possível corte, a estratégia seguirá focada em exploração e produção, área que concentrará a maior parte do orçamento. A Petrobras acelera a oferta de óleo para sustentar receitas, elevando inclusive a produção do FPSO Marechal Duque de Caxias acima da capacidade nominal.
Além disso, a empresa avança rapidamente no campo de Búzios, considerado o maior ativo em águas profundas do mundo. A performance recente reforça o potencial de entrega operacional mesmo em cenário de restrições orçamentárias.
Do total provisório de US$ 106 bilhões, US$ 91 bilhões serão destinados a projetos já aprovados. Os demais US$ 15 bilhões ainda dependem de avaliação de retorno e sustentabilidade financeira, etapa que pode definir o ritmo dos próximos anos.