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Na quarta-feira, 30 de agosto, a Natura (NTCO3), gigante brasileira do setor de cosméticos, oficialmente finalizou a venda da Aesop para a renomada empresa de beleza L’Oréal. Com um valor expressivo de US$ 2,58 bilhões (equivalente a cerca de R$ 12,5 bilhões), a transação marca um movimento estratégico da Natura para reforçar seu foco em seu core business e fortalecer sua posição no mercado.
A venda da Aesop, uma marca premium de produtos de cuidados pessoais e beleza, foi anunciada no início de abril, despertando a atenção da indústria e dos investidores. A transação não apenas atraiu olhares devido ao seu valor considerável, mas também por representar uma etapa crucial na estratégia de crescimento e consolidação da Natura.
Após o anúncio da venda, a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) veio em maio, permitindo que o processo seguisse adiante. A L’Oréal Austrália, uma subsidiária integral da L’Oréal, assume a responsabilidade de adquirir a totalidade do capital social e votante da Natura Brazil Pty, a holding que detém o Grupo Aesop, anteriormente controlado pela Natura Cosméticos.
Para a Natura, a conclusão dessa venda representa mais do que apenas uma transação financeira. A empresa está se reposicionando para focar em suas atividades principais, permitindo um crescimento mais direcionado e estratégico em seu mercado-chave. Além disso, os recursos obtidos com essa venda contribuirão significativamente para o fortalecimento do balanço financeiro da empresa, pavimentando o caminho para a desalavancagem e proporcionando mais flexibilidade para futuras iniciativas de crescimento e investimento.
A transação também tem um impacto regional. Com a desvinculação da Aesop, a Natura terá uma maior capacidade de integração e expansão na América Latina, um mercado em que a empresa já possui uma forte presença e que agora poderá receber mais atenção e investimentos.
No entanto, é importante notar que a venda da Aesop não foi apenas uma questão de estratégia financeira. A decisão de vendê-la também foi influenciada pela avaliação de que a marca não é considerada significativa no segmento de beleza e cuidados pessoais no Brasil, conforme afirmou a superintendência do Cade. Isso contribuiu para a aprovação sem grandes preocupações concorrenciais, visto que o aumento na concentração de mercado resultante da operação é considerado desprezível em todas as análises feitas.
A conclusão da venda da Aesop para a L’Oréal representa um marco significativo para a Natura, marcando uma nova fase em sua trajetória corporativa. À medida que a empresa direciona seus esforços para suas atividades principais e busca expandir sua influência na América Latina, essa transação ressoa como um passo estratégico e consciente em direção a um futuro mais focado e próspero.
Com a liberação do Cade e todas as formalidades cumpridas, a Natura agora está livre para avançar em sua jornada, aproveitando os recursos obtidos com a venda para impulsionar seu crescimento, inovação e impacto em seu setor, reforçando sua posição como uma líder do mercado de cosméticos e cuidados pessoais.
O desejo pela venda
A Natura&Co (NTCO3) já estava em busca de um novo rumo para a The Body Shop, a marca britânica de cosméticos naturais que adquiriu há quatro anos por € 1 bilhão. A empresa brasileira anunciou nesta terça-feira que está explorando alternativas estratégicas para o negócio, incluindo uma possível venda.
A decisão reflete os desafios que a Natura&Co enfrenta para reverter o desempenho da The Body Shop, que tem sofrido com a queda nas vendas, a concorrência acirrada e a necessidade de modernizar sua imagem e seus produtos. A marca, fundada em 1976 por Anita Roddick, foi pioneira no conceito de cosméticos éticos e sustentáveis, mas perdeu relevância e atratividade nos últimos anos.
Segundo dados divulgados pela Natura&Co, a The Body Shop registrou uma receita líquida de R$ 4,4 bilhões em 2020, uma redução de 24% em relação ao ano anterior. O resultado operacional (EBITDA) foi de R$ 536 milhões, uma queda de 28%. A margem EBITDA caiu de 13,7% para 12,2%. A marca também apresentou um prejuízo líquido de R$ 1 bilhão no ano passado.
A pandemia de covid-19 teve um impacto negativo sobre o negócio, que depende muito das vendas em lojas físicas. A The Body Shop possui cerca de 3 mil pontos de venda em mais de 60 países, sendo que a maior parte está localizada na Europa e na Ásia. O e-commerce representa apenas 12% das vendas totais, segundo estimativas do Goldman Sachs.
Além disso, a The Body Shop enfrenta uma forte concorrência de outras marcas que também apostam na proposta de cosméticos naturais e sustentáveis, como a Lush e a Rituals. Para recuperar sua relevância e seu diferencial, a marca precisa investir em inovação, renovação do portfólio, expansão geográfica e digitalização.
No entanto, esses investimentos demandam recursos financeiros e gerenciais que podem estar escassos na Natura&Co, que também tem outras prioridades estratégicas. A empresa brasileira concluiu recentemente a integração da Avon, comprada em 2019 por US$ 3,7 bilhões, e vendeu neste ano a Aesop, marca australiana de cosméticos premium, para a L’Oréal por US$ 2,5 bilhões.
A venda da The Body Shop pode ser uma forma de simplificar o portfólio da Natura&Co e liberar capital para investir nas marcas que têm maior potencial de crescimento e rentabilidade. No entanto, o preço e o formato da operação ainda são incertos. O Itaú BBA estima que a The Body Shop vale hoje cerca de R$ 3,2 bilhões (6x EBITDA), o que representa uma forte desvalorização em relação ao valor pago pela Natura&Co em 2017.
A Natura&Co afirmou que ainda não há nenhuma decisão tomada sobre o destino da The Body Shop e que manterá o mercado informado sobre os próximos passos. A empresa disse que continua comprometida com o desenvolvimento da marca e com sua missão de promover o bem-estar das pessoas e do planeta.
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