
- O Fed cortou os juros em 0,25 ponto percentual, para 3,75%–4%, menor nível em quase três anos.
- Mercado projeta novo corte em dezembro, reforçando cenário positivo para ativos de risco.
- A decisão beneficia emergentes como o Brasil, valorizando o real e permitindo ajustes graduais na política monetária.
O Federal Reserve (Fed) anunciou corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, levando-a para 3,75% a 4% ao ano, menor nível desde novembro de 2022. Esta é a segunda redução consecutiva, após período de estabilidade prolongada.
O movimento confirma as projeções do mercado e reforça o compromisso do Fed com o controle da inflação e do emprego, mesmo diante de um apagão parcial de dados econômicos causado pelo shutdown do governo.
Decisão do Fed e contexto econômico
O FOMC manteve o corte igual ao de setembro. Dados recentes mostram inflação menor e sinais de arrefecimento no emprego.
Além disso, o Fed reforça que acompanha indicadores para equilibrar crescimento e preços.
Investidores já projetam novo corte de 0,25 ponto percentual em dezembro. Segundo o CME Group, 87,1% esperam juros entre 3,5% e 3,75%, enquanto 12,6% preveem manutenção da faixa atual.
Desse modo, o corte atende à expectativa quase unânime do mercado, evitando surpresas negativas e oferecendo mais segurança para ativos de risco.
Pressão política e críticas
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado o Fed por cortes mais agressivos desde janeiro.
Ele criticou o presidente Jerome Powell e defendeu juros mais baixos para estimular a economia.
Apesar disso, o Fed mantém que juros elevados são necessários para frear a inflação, tornando crédito mais caro e limitando consumo.
Portanto, a autoridade monetária busca equilibrar crescimento econômico e controle de preços.
Efeito no Brasil
O corte do Fed cria cenário positivo para o Brasil e outros emergentes. Juros menores nos EUA tornam títulos americanos menos atrativos e atraem investidores para países com diferencial positivo de juros.
Ademais, segundo Alexandre Mathias, estrategista-chefe da Monte Bravo, “a perspectiva de cortes do Fed cria contexto favorável para ativos de risco globalmente”.
Por fim, o diferencial entre a Selic em 15% ao ano e os juros americanos ajuda a valorizar o real frente ao dólar. Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, destaca que isso oferece espaço para cortes graduais na política monetária doméstica.