Alerta monetário

Galípolo alerta que dívida atrelada à Selic pode atrapalhar combate à inflação

Presidente do BC afirma que alta dos juros aumenta renda de detentores de títulos públicos e reduz efeito contracionista da política monetária.

Gabriel Galípolo, Presidente do Banco Central - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Gabriel Galípolo, Presidente do Banco Central - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
  • Banco Central do Brasil alertou para efeito da dívida atrelada à Selic
  • Gabriel Galípolo afirmou que juros altos elevam renda de detentores de LFTs
  • BC segue preocupado com inflação e desancoragem das expectativas

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira que a elevada fatia da dívida pública brasileira atrelada à Selic pode dificultar o trabalho da autoridade monetária no controle da inflação.

Segundo o chefe do BC, cerca de metade da dívida soberana brasileira está vinculada às taxas de juros básicas da economia por meio das chamadas LFTs. Dessa forma, quando o Banco Central eleva a Selic, aumenta também a remuneração dos investidores que possuem esses títulos.

Alta dos juros pode gerar efeito contrário

Durante audiência no Senado, Galípolo explicou que esse fenômeno cria uma característica particular da economia brasileira.

Ao mesmo tempo em que juros mais altos buscam desacelerar a atividade econômica, o aumento da remuneração dos detentores de títulos públicos pode elevar renda e consumo em parte da economia.

Além disso, dados do Tesouro Nacional mostram que os títulos indexados à Selic representavam 47,7% da dívida pública federal em março.

Hoje, a taxa básica está em 14,50% ao ano, enquanto o BC mantém discurso de política monetária restritiva diante das pressões inflacionárias.

BC vê economia ainda aquecida

Segundo Galípolo, o país segue apresentando desemprego baixo, crescimento da renda e atividade econômica resiliente mesmo com juros elevados.

Por outro lado, o presidente do BC afirmou que as expectativas de inflação continuam desancorando inclusive para 2028, algo que preocupa a autoridade monetária.

Além disso, ele citou dois choques principais pressionando a inflação: a alta do petróleo após o conflito no Oriente Médio e os impactos climáticos do El Niño.

Galípolo também cobra autonomia financeira

Durante a audiência, o presidente do BC voltou a defender a aprovação da autonomia financeira da instituição.

Segundo ele, o Banco Central perdeu cerca de 1.300 servidores nos últimos dez anos, enquanto o número de instituições supervisionadas aumentou significativamente.

Agora, o mercado acompanha os próximos passos da política monetária e os impactos da inflação persistente sobre juros e atividade econômica.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.