
- BC mantém tom cauteloso, reforçando que o cenário fiscal e eleitoral exigem prudência.
- Economistas se dividem entre corte em janeiro ou março, dependendo do ritmo da inflação e da atividade.
- XP e JP Morgan projetam início do ciclo em março, enquanto o Inter vê chance de antecipação.
Após o Copom manter a Selic em 15% ao ano pela terceira vez seguida, o mercado retomou o debate sobre o início dos cortes. Embora a maioria projete março, alguns economistas veem chance de antecipação para janeiro, caso inflação e atividade sigam favoráveis.
Entre as principais casas, há uma visão comum de que o BC ainda busca consolidar a desinflação antes de mudar o tom da política monetária. O debate, contudo, ganha força com a queda dos preços e a desaceleração da economia. Esses fatores podem levar o Banco Central a agir antes do previsto.
XP e Inter dividem apostas entre março e janeiro
Para a XP Investimentos, o ciclo de afrouxamento deve começar em março. Serão seis cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual até dezembro de 2026. Assim, a Selic pode cair para 12% ao ano.
Além disso, o economista-chefe Caio Megale acredita que novas leituras de inflação e atividade devem convencer o Copom. Para ele, o atual aperto monetário já cumpre seu papel no controle de preços.
Ele pondera, no entanto, que o risco fiscal elevado e as incertezas globais podem limitar a velocidade da queda dos juros. Já Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, acredita que o corte pode começar já em janeiro, caso o câmbio continue estável e a inflação siga recuando de forma consistente.
Ainda assim, ela alerta para os riscos de 2026, como o impacto da expansão fiscal e o aumento de gastos públicos em ano eleitoral, fatores que podem reacender pressões inflacionárias e adiar o alívio monetário.
Bloomberg e JP Morgan projetam BC mais paciente
Na visão da Bloomberg Economics, o Banco Central deve esperar mais evidências de melhora na inflação antes de sinalizar cortes, o que empurra o início do ciclo para o primeiro trimestre de 2026. A economista Adriana Dupita avalia que o BC ainda tem incentivos para manter o tom restritivo, mesmo com os dados recentes mais positivos.
Já o JP Morgan afastou a possibilidade de corte em dezembro, afirmando que o Copom deve iniciar os ajustes apenas em março. Segundo o banco, o BC observou progresso limitado em direção à meta de inflação, e por isso deve adiar qualquer movimento abrupto.
A instituição elevou sua projeção para a Selic terminal de 2026, de 10,75% para 11,50%, reforçando que o processo será gradual e dependente da consolidação de um cenário econômico mais estável.
Economistas veem BC “vigilante, mas em transição”
Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o BC deve manter a taxa em 15% até março de 2026, com cortes graduais a partir desse ponto. Ela avalia que o tom do comunicado do Copom foi menos tenso, mas ainda indica um “hawkish moderado”, ou seja, uma postura firme, mas sem pressa em relaxar a política monetária.
Na mesma linha, Gustavo Sung, da Suno Research, destaca que o Banco Central mantém a estratégia de prudência para preservar credibilidade e flexibilidade nas próximas decisões. Segundo ele, o discurso de “período prolongado” de juros altos mostra que a autoridade monetária quer evitar pressões inflacionárias em ano eleitoral.
Mesmo com divergências entre as casas, há consenso de que a inflação precisa mostrar sinais mais sólidos de convergência à meta antes de o BC reduzir os juros. Assim, o primeiro corte entre janeiro e março segue como o principal ponto de atenção do mercado nos próximos meses.