
- Sem reformas, mercado projeta dívida acima de 100% do PIB até 2028/2029, elevando juros e risco.
- Dívida em 78,1% do PIB (BC) e 90,5% pelo critério do FMI; avanço de 6,6 pontos desde 2023.
- Despesas permanentes e juros (R$ 985 bi) pressionam as contas; arcabouço fiscal pode não bastar.
A dívida pública consolidada subiu para 78,1% do PIB em setembro, somando R$ 9,75 trilhões, segundo o Banco Central. No padrão do FMI, que inclui títulos em carteira do BC, o país alcança 90,5% do PIB.
Desde o início de 2023 a dívida avançou 6,6 pontos percentuais. Além disso, o custo com juros chega a R$ 985 bilhões em doze meses, pressionando a conta pública e os juros.
Alta recente e causas
A elevação reflete políticas e gastos recentes, como a PEC da transição, o reajuste real do salário mínimo e o pagamento de precatórios (R$ 92,3 bilhões). Essas medidas ampliaram despesas permanentes e elevaram o passivo.

A retomada de reajustes a servidores e a expansão dos pisos em saúde e educação também pesam. O resultado foi maior déficit e necessidade de mais emissão de títulos.
Entretanto, sem ajuste de despesas o arcabouço fiscal corre o risco de não segurar a trajetória da dívida. Por isso, analistas vêem pouca margem para erro no médio prazo.
Comparação internacional
Em 2024 o Brasil já se aproxima do nível da Zona do Euro (87,7% do PIB) e está acima da América Latina (70%) e dos emergentes (69,5%), segundo o FMI. Esse patamar reduz a folga fiscal diante de choques externos.
O BID recomenda que países da região recuem para entre 46% e 55% do PIB. Contudo, o Brasil opera com carga tributária de 34% do PIB, típica de países ricos, sem o mesmo dinamismo econômico.
Por isso, sem reformas estruturais o mercado projeta que a dívida pode exceder 100% do PIB até 2028 ou 2029, ampliando o custo do financiamento.
Riscos e caminhos possíveis
Uma dívida mais alta eleva o prêmio de risco e, assim, juros mais altos para o setor produtivo. Isso restringe investimento e freia crescimento. Logo, a inflação e o custo do crédito tendem a ficar mais sensíveis a choques.
Porém, a IFI calcula que seria preciso registrar um superávit de 2,1% do PIB para estabilizar a trajetória da dívida. Essa meta exigiria ajuste fiscal relevante e medidas de longo prazo.
Além disso, o Tesouro e o mercado apontam que reformas, especialmente na previdência e no ambiente de negócios — são essenciais para devolver credibilidade fiscal. Enquanto isso, a trajetória permanece de risco elevado.