
- Risco cibernético ganha atenção redobrada do BC após ataques.
- Banco Central identifica piora no crédito e aumento das perdas esperadas.
- Sistema financeiro segue sólido e rentável, mesmo sob pressão.
O Banco Central alertou para uma deterioração no crédito brasileiro. Segundo o órgão, aumentaram os riscos e as perdas esperadas, especialmente em operações para famílias e pequenas empresas.
Apesar do cenário mais frágil, o BC assegurou que o sistema financeiro nacional continua sólido, com boa rentabilidade e provisões suficientes para enfrentar períodos de estresse econômico.
Juros altos ainda travam o crédito
O relatório de estabilidade financeira divulgado nesta quarta-feira (12) mostra que o mercado de crédito segue pressionado pelos juros altos. A taxa Selic de 15% ao ano encarece financiamentos e reduz a capacidade de pagamento das famílias.
De acordo com o BC, houve queda nas concessões de crédito em quase todas as modalidades, incluindo as de micro e pequenas empresas. Mesmo assim, o mercado de capitais ainda apresenta taxas elevadas, reflexo de um ambiente de custo de dinheiro mais restrito.
Desse modo, o Banco Central destacou que os bancos estão mais seletivos, priorizando clientes com menor risco de inadimplência e mantendo a qualidade das novas concessões.
Famílias sentem mais o impacto da renda
O relatório também chama atenção para o comprometimento da renda das famílias e o alto endividamento. Segundo o BC, esses fatores exigem prudência nas novas operações e vigilância sobre a inadimplência.
Além disso, as instituições financeiras reforçaram provisões para perdas e reduziram a exposição a clientes mais vulneráveis. Esse movimento, segundo o órgão, ajuda a manter a estabilidade do sistema em um momento de desaceleração econômica.
Portanto, mesmo com a piora nos indicadores de crédito, o BC avaliou que a rentabilidade dos bancos segue robusta, o que garante segurança diante de possíveis mudanças no cenário econômico.
Risco digital ganha prioridade
Além do crédito, o Banco Central voltou a alertar sobre o risco cibernético. Após ataques recentes a sistemas de pagamento, o órgão observou que muitas instituições ainda não possuem mecanismos adequados de proteção.
O BC afirmou que segue monitorando incidentes cibernéticos e adotando medidas para fortalecer a segurança digital do sistema financeiro. Ademais, a autarquia reforçou que falhas tecnológicas podem gerar prejuízos e afetar a confiança dos usuários.
Por isso, o tema entrou na lista de prioridades regulatórias do Banco Central, ao lado da supervisão prudencial e da integridade do crédito.