
- Inadimplência estável e base ativa de clientes cresce acima do ritmo recente
- Inter frustra consenso, mas melhora eficiência e acelera carteira de crédito
- ROE abaixo da meta reacende dúvidas sobre plano estratégico até 2027
O Inter (INBR32) registrou lucro e ROE abaixo do consenso, mas acelerou de forma relevante sua carteira de crédito e entregou uma melhora expressiva no índice de eficiência, mesmo em um trimestre de maior pressão competitiva no setor bancário.
O banco da família Menin registrou lucro de R$ 336 milhões e ROE de 14,2%, abaixo das projeções, que apontavam resultados mais fortes. Ainda assim, a instituição reforça que o plano estratégico segue “no trilho” e que a melhora operacional será acumulada trimestre a trimestre.
Lucro desaponta, mas eficiência surpreende investidores
O consenso Bloomberg projetava lucro de R$ 358 milhões e ROE de 15%, enquanto Itaú e BTG esperavam números ainda maiores. A performance abaixo do esperado reacende dúvidas sobre o plano do Inter de alcançar ROE de 30% até 2027, além de reforçar o desafio de terminar 2025 com ritmo mais forte.
Segundo cálculos de analistas, para permanecer “on track”, o Inter precisaria encerrar 2025 com ROE de 18%, algo considerado difícil mesmo com a sazonalidade favorável do quarto trimestre. A administração, porém, mantém o discurso de confiança e aponta que cada trimestre prioriza ganhos diferentes.
O destaque positivo veio do índice de eficiência, que caiu de 47,1% para 45,2%, impulsionado por forte alavancagem operacional. As receitas avançaram 29% ano contra ano, enquanto as despesas cresceram apenas 16%, reforçando o ritmo de maturação do modelo digital.
Carteira de crédito dispara e surpreende com ritmo acima do mercado
A carteira de crédito do Inter cresceu 9% sequencialmente, alcançando R$ 43,3 bilhões, um ritmo três vezes superior ao crescimento médio do setor. O banco tem ampliado presença especialmente no crédito pessoal e no consignado privado, uma das principais apostas estratégicas.
O consignado privado cresceu 83%, saltando de R$ 730 milhões para R$ 1,3 bilhão, consolidando participação de mercado próxima de 10% nas originações. O consignado oferece um dos ROEs mais altos da carteira, segundo a administração.
Outros segmentos também avançaram: o crédito imobiliário subiu 10%, o home equity cresceu 9% e cartões de crédito tiveram alta de 7%, reforçando a expansão diversificada da carteira.
Inadimplência fica estável e base ativa de clientes acelera
Apesar do ritmo acelerado de originação, a inadimplência do banco permaneceu controlada. O NPL 15-90 dias ficou em 4,1%, enquanto o NPL 90+ recuou levemente de 4,6% para 4,5%, indicando estabilização da qualidade da carteira mesmo em ambiente macro ainda desafiador.
O banco encerrou o trimestre com 41,3 milhões de clientes, alta de dois milhões. A base de clientes ativos — aqueles que geram receita — cresceu de 22,7 milhões para 23,9 milhões, um avanço de 1,2 milhão, acelerando o ritmo visto nos trimestres anteriores.
Listada na Nasdaq, a empresa vale US$ 4,35 bilhões, com alta de 140% no ano. Em 12 meses, as ações sobem 60%. Segundo o Itaú, o Inter negocia a 12 vezes o lucro estimado para o ano que vem, nível considerado razoável diante do potencial de crescimento.