
- Correios correm para levantar R$ 10 bilhões e evitar colapso operacional.
- Estatal prepara PDV para demitir 10 mil funcionários e reduzir gastos anuais.
- Descumprimento contratual elevou juros e ameaça retenção de recursos, agravando a crise.
Os Correios vivem sua fase mais delicada em anos e correm para levantar R$ 10 bilhões em apenas 15 dias. A estatal tenta um empréstimo com garantia da União para impedir que o caixa entre em colapso definitivo, já que o prejuízo acumulado em 2025 atingiu R$ 4,3 bilhões, enquanto a empresa opera com patrimônio líquido negativo de R$ 8,7 bilhões.
A nova rodada de negociações com bancos tornou-se a última chance para manter pagamentos básicos em dia, reduzir passivos urgentes e dar início ao plano interno de reestruturação. A direção considera o crédito indispensável para manter serviços funcionando, sobretudo diante do aumento das dívidas, dos atrasos nas entregas e do risco crescente de perder grandes clientes.
Correios pressionam bancos e tentam reduzir custo do empréstimo
A estatal decidiu apertar o ritmo das negociações porque a primeira rodada fracassou. Os bancos chegaram a pedir até 136% do CDI, mesmo com risco zero devido ao aval da União. A direção classificou a taxa como inviável, já que os juros anuais alcançariam R$ 3 bilhões, consumindo qualquer tentativa de ajuste financeiro.
Agora, o objetivo é limitar o custo a 120% do CDI, patamar considerado suportável pelo Comitê de Garantias do Tesouro. Com o teto revisado e a redução do valor inicial solicitado de R$ 20 bilhões para R$ 10 bilhões, a estatal tenta atrair mais instituições, incluindo bancos médios, para destravar o crédito.
A diretoria também buscou respaldo no Tribunal de Contas da União (TCU). A apresentação antecipada do plano de reestruturação tenta evitar contestações futuras e dar transparência ao processo, especialmente porque a empresa pretende contrair novas operações nos próximos meses para complementar o montante necessário.
Demissão de 10 mil funcionários vira peça central do plano
Paralelamente, o comando dos Correios prepara um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para cortar 10 mil empregados, número considerado essencial para reduzir a folha salarial em R$ 2 bilhões por ano. A medida representa o eixo central do processo de saneamento e tenta corrigir um histórico de custos que cresceu mais rápido que as receitas.
O desafio é convencer os funcionários a aderir. No último PDV, apenas 3,6 mil colaboraram, mesmo com 8 mil manifestando interesse inicial. Como o objetivo agora é muito maior, a estatal avalia oferecer condições mais vantajosas para tornar a saída financeiramente atraente.
Apesar de custosa no curto prazo, a iniciativa é vista como indispensável para equilibrar o orçamento. A empresa afirma que só conseguirá recuperar ritmo operacional e melhorar índices de entrega se resolver, antes, a pressão orçamentária que trava investimentos e compromete contratos estratégicos.
Atrasos, prejuízo crescente e risco de retenção de recursos
A crise financeira já afeta a operação. Os atrasos nas entregas aumentaram, e a estatal admite que só evita perda de contratos se superar 95% de entregas no prazo, hoje está em 92%, após ter chegado a apenas 76% no pior momento do ano. Sem caixa, fornecedores ficam sem receber, e a cadeia operacional perde eficiência.
Além disso, outro ponto crítico é o risco de bloqueio de recursos. No empréstimo de R$ 1,8 bi com BTG, Citibank e ABC, os Correios descumpriram cláusulas; precatórios subiram de R$ 900 mi a R$ 2,051 bi. Isso acionou aumento automático de juros e antecipação de pagamento do valor principal.
Por fim, a empresa teve de assinar um aditivo de R$ 40,5 milhões, que deve ser quitado entre novembro e dezembro. A partir do dia 15, os bancos podem reter valores na conta garantia, o que aumenta a pressão sobre o caixa e dificulta novos financiamentos.