
- Localiza dispara, Oi volta ao pregão com altas expressivas e Azul decepciona após prejuízo.
- Ibovespa sobe 0,37% puxado por PETR4 e fecha quinta semana seguida no azul.
- EUA sinalizam possível redução tarifária enquanto Brasil negocia alívio no tarifaço.
O Ibovespa interrompeu a sequência de duas quedas e fechou esta sexta-feira em alta de 0,37%, aos 157.738 pontos, impulsionado principalmente pelo avanço de PETR4 em meio à disparada internacional do petróleo. Com isso, o índice acumulou ganho semanal de 2,39%, garantindo sua quinta semana consecutiva no azul.
Ao mesmo tempo, o dólar recuou levemente para R$ 5,297, enquanto os juros futuros oscilaram, porém com predominância de queda nos vencimentos mais líquidos. A sessão refletiu maior apetite ao risco global, inclusive com recuperação de gigantes de tecnologia nos Estados Unidos.
Alívio em Nova York e giro no humor global
Em Wall Street, os principais índices começaram o dia pressionados, mas as ações de tecnologia voltaram a atrair fluxo e ajudaram o Nasdaq a fechar no campo positivo. Esse movimento, ainda que cauteloso, reforçou a percepção de que investidores buscam reposicionamento para o final do ano e início de 2026, após forte concentração em big techs.
Segundo gestores, o mercado segue alternando entre estratégias de maior risco e proteção, enquanto monitora projeções econômicas e decisões de política monetária. Esse vaivém, porém, não impediu uma melhora gradual do sentimento ao longo do pregão.
Embora as bolsas europeias tenham fechado antes das notícias positivas do dia, o mercado global demonstrou que ainda reage de maneira sensível a mudanças na percepção de risco, especialmente em tecnologia e comércio internacional.
EUA discutem tarifas e Brasil monitora tarifaço
No campo comercial, o representante Comercial dos EUA afirmou que estuda suspender tarifas sobre produtos não fabricados localmente, incluindo café, banana e cacau, o que abre margem para alívio parcial no comércio internacional. A medida ainda é avaliada, mas gerou expectativa positiva entre exportadores.
Além disso, um acordo com a Suíça reduziu tarifas de 39% para 15%, alinhando o país ao padrão aplicado à União Europeia. Esse movimento reforçou a tese de que Washington começa a flexibilizar parte da política tarifária rígida dos últimos anos.
No caso brasileiro, diplomatas seguem negociando a redução do tarifaço imposto pelos EUA. O governo acredita que alguma moderação pode ocorrer nos próximos dias, embora avalie que as sanções políticas, incluindo as aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, sejam difíceis de reverter no curto prazo.
PETR4 puxa o índice; VALE3 pesa; varejo respira
No pregão doméstico, PETR4 avançou 0,65%, apoiada pela alta abrupta do petróleo após ataque ucraniano que afetou parte das exportações russas. O evento pressionou cerca de 2% da oferta global, ajudando as ações da estatal a sustentarem o Ibovespa.
Por outro lado, VALE3 caiu 0,61%, pressionada por preocupações com mais uma provisão de US$ 500 milhões relacionada à tragédia de Mariana. O movimento reduziu parte do impulso do índice, mas não comprometeu o fechamento positivo do dia.
Entre as maiores altas, Localiza (RENT3) disparou 4,78% após balanço sólido e anúncio de venda da participação na Voll. No varejo, MGLU3 subiu 5,85% e LREN3 ganhou 2,23%, apoiadas por análises do Goldman Sachs indicando que o consumo foi mais impactado pelo clima do que pela renda das famílias.
Oi retorna ao pregão e Azul decepciona
Fora do Ibovespa, a notícia mais inesperada veio da Oi, que teve a falência suspensa pela Justiça e retomou a recuperação judicial. A volta das negociações foi marcada por forte volatilidade: OIBR3 saltou 11,11%, enquanto OIBR4 avançou 24,28%, em um dos movimentos mais atípicos do ano.
Ainda entre empresas fora do índice principal, Azul (AZUL4) frustrou o mercado ao registrar prejuízo no 3T25, apesar do lucro operacional de R$ 1,2 bilhão, alta anual de 23,7%. A ação caiu 7,69%, refletindo expectativas não atendidas.
Já Axia Energia (ELET3) subiu 1,62% após aprovar emissão de debêntures de R$ 3 bilhões, reforçando a estratégia de reforço de caixa para projetos já em andamento.
Agenda econômica volta ao radar na semana que vem
Na próxima semana, o mercado local acompanha a divulgação do IBC-Br, a prévia do PIB brasileiro referente a setembro, que pode ajustar expectativas para 2025. O indicador será divulgado já na segunda-feira, reforçando um início de semana de forte atenção macroeconômica.
Entretanto, o foco maior recai sobre os indicadores dos EUA, que devem voltar ao calendário após atrasos provocados pela paralisação do governo norte-americano. O BEA informou que trabalha para normalizar o cronograma nos próximos dias.
Esses dados podem influenciar diretamente tanto os juros globais quanto o direcionamento dos mercados, especialmente à medida que investidores calibram expectativas para o Fed e para o crescimento americano.