
- Mercado revisa expectativas e vê desaceleração persistente no fim de 2025.
- IBC-Br cai 0,2% em setembro e frustra projeções do mercado.
- Atividade econômica recua 0,9% no terceiro trimestre, sinalizando perda de ritmo.
A economia brasileira tropeçou em setembro. O IBC-Br, prévia do PIB, registrou queda de 0,2% frente a agosto, desempenho pior que a expectativa do mercado, que projetava recuo de 0,10%, segundo levantamento da Reuters. O dado, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (17), adiciona cautela aos investidores e ao governo.
Além disso, o índice mostrou encolhimento de 0,9% no terceiro trimestre, o que reforça o sinal de perda de fôlego da atividade nacional. Apesar disso, a comparação interanual ainda indica avanço de 2,0%, acumulando alta de 3,0% em 12 meses.
Queda acima do esperado pressiona expectativas
O resultado de setembro desagradou analistas, pois consolidou um trimestre de retração mais forte que o previsto. Embora parte do mercado já considerasse uma desaceleração pela frente, a queda acima da projeção amplia a percepção de fragilidade na economia. Como reflexo, as discussões sobre revisões do PIB ganharam força.
Além disso, a queda de 0,9% no terceiro trimestre mostra que o ritmo observado no início do ano já não se sustenta, principalmente diante de condições financeiras mais apertadas e menor tração do consumo. O dado também pressiona as apostas para o resultado oficial do PIB, que será divulgado pelo IBGE em breve.
Ainda que o acumulado de 12 meses permaneça positivo, o movimento recente aponta tendência de desaceleração estrutural, um ponto que passa a ser observado com mais rigor por economistas e formuladores de política econômica.
Mercado reage com cautela e aumenta monitoramento
Assim que o resultado foi publicado, casas de análise destacaram que o indicador reforça a necessidade de prudência na leitura do cenário doméstico. Como consequência, projeções para o fim do ano passaram por ajustes, ainda que moderados. A avaliação predominante é de que a economia perdeu tração de maneira disseminada.
Mesmo com esse recuo, analistas ponderam que partes relevantes do setor de serviços seguem resilientes, o que impede quedas mais acentuadas. Entretanto, a fraqueza crescente na indústria continua pesando sobre a performance geral. Isso ajuda a explicar por que a desaceleração do trimestre apareceu de forma mais forte do que o consenso esperava.
Além disso, o mercado financeiro também passou a monitorar como o dado pode influenciar as próximas sinalizações do Banco Central, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados e incertezas externas.
O que esperar para os próximos meses
Para os economistas, o fechamento do ano deve ser marcado por volatilidade maior na atividade. Embora o consumo das famílias tenha sustentado boa parte do crescimento recente, essa dinâmica pode perder impulso devido ao menor ritmo do mercado de trabalho e às condições financeiras mais duras. Isso ajuda a explicar o movimento mais fraco observado no trimestre.
Mesmo assim, a expectativa é que alguns setores tenham recuperação moderada no fim do ano, à medida que os estímulos fiscais seguem sendo executados. Contudo, ainda não há indicação clara de retomada robusta antes de 2026. Por isso, o desempenho do PIB, quando divulgado, deve mostrar crescimento modesto.
Além disso, o resultado fraco aumenta o debate sobre políticas públicas que estimulem a produtividade e reduzam gargalos estruturais, já que fatores pontuais não explicam integralmente a desaceleração recente.