
A proposta de revisão da escala de trabalho 6×1, em debate no país, acende um alerta para o varejo paulistano. O setor, que depende diretamente da presença física de equipes para manter o funcionamento contínuo das lojas, pode enfrentar aumento relevante de custos operacionais e impactos na geração de empregos caso haja mudanças abruptas no modelo atual de jornada.
O comércio é um dos principais motores do emprego no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor de comércio responde por cerca de 19% das ocupações no país dentro do segmento de serviços e atividades correlatas. Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) aponta que o comércio figura de forma recorrente entre os setores que mais geram empregos formais, com destaque para grandes centros urbanos como São Paulo.
No entanto, a estrutura operacional do varejo é altamente sensível a mudanças na jornada de trabalho. Diferentemente de outros setores, o comércio funciona em horários estendidos, incluindo finais de semana e datas sazonais de alta demanda, como Natal, Dia das Mães e Black Friday. Nesse cenário, qualquer alteração na escala exige reestruturação completa das equipes.
Na prática, a eventual flexibilização ou extinção da escala 6×1 pode gerar necessidade de ampliação do quadro de funcionários para cobrir horários, aumento de custos com folha de pagamento e encargos trabalhistas, além de maior complexidade na gestão das escalas. Para pequenos e médios lojistas, que operam com margens mais estreitas, esse impacto tende a ser ainda mais significativo.
“É fundamental que qualquer mudança na jornada de trabalho considere a realidade do varejo. Estamos falando de um setor que funciona todos os dias, com horários amplos e alta dependência de mão de obra. Sem um debate técnico e equilibrado, há risco de aumento de custos, redução de vagas e impacto direto no consumidor”, afirma o presidente do Sindilojas-SP, Aldo Nuñez Macri.
Além da questão operacional, o Sindilojas-SP destaca que o aumento de custos pode ser parcialmente repassado aos preços finais, pressionando o consumo em um momento em que as famílias já lidam com restrições orçamentárias. Segundo o IBGE, o consumo das famílias tem sido impactado por fatores como inflação acumulada e custo do crédito, o que torna o ambiente ainda mais sensível a reajustes.
Impacto no emprego
Outro ponto de atenção é o efeito sobre a empregabilidade. Embora a mudança na jornada possa, em tese, demandar mais contratações para cobrir turnos, o aumento do custo total por funcionário pode levar empresas a reduzir quadros, adotar jornadas mais enxutas ou postergar contratações, especialmente em períodos de menor movimento.
O Sindilojas-SP reforça que o debate precisa considerar as especificidades do comércio, garantindo equilíbrio entre a proteção ao trabalhador e a sustentabilidade das empresas. A entidade defende que qualquer mudança seja acompanhada de medidas que reduzam o impacto sobre os custos operacionais, preservando empregos e a competitividade do setor.