Queda firme

Fechamento: Ibovespa despenca e surpresa dos bancos acende alerta vermelho no mercado

Bolsa registra pior queda em mais de um mês, pressionada pelo exterior tenso e recuo dos grandes bancos.

Fechamento mercado
  • PETR4 sobe após nova descoberta, enquanto bancos puxam o índice para baixo.
  • Ibovespa registra sua maior queda em mais de um mês, pressionado por bancos e cenário global.
  • Investidores aguardam balanço da Nvidia e payroll, o que amplia a aversão ao risco.

O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira (17) em queda firme e marcou a maior baixa desde 10 de outubro. O movimento refletiu o dia negativo nos EUA, onde investidores adotaram forte cautela antes do balanço da Nvidia e da divulgação do payroll atrasado.

No Brasil, mesmo com sinais positivos no Focus, o pessimismo externo falou mais alto. A combinação de bancos em queda, dólar mais forte e juros futuros em alta criou um ambiente de aversão ao risco.

Exterior pressiona e mantém investidores travados

O mercado abriu sob impacto direto da notícia de que Donald Trump retirou tarifas de parte das importações agrícolas. Entretanto, o alívio veio fraco e não mudou o humor global. Ainda prevaleceu a tensão que cresceu com a proximidade do balanço da Nvidia, informado para quarta-feira. Além disso, o retorno dos indicadores econômicos reforçou a aversão ao risco.

Na Europa, o clima foi igual: investidores reduziram posições enquanto aguardam números que podem redefinir expectativas para o fim do ano. Assim, a cautela ditou o ritmo. A percepção é que qualquer sinal negativo pode ampliar a volatilidade.

Nos EUA, analistas destacaram que a demanda por chips precisa continuar forte para sustentar o valuation da Nvidia. Entretanto, o mercado teme desaceleração. Ao mesmo tempo, setores de consumo ficaram no foco, já que o comportamento das famílias deve determinar o tom das vendas de fim de ano.

No Brasil, dados locais perdem força diante do pessimismo global

Mesmo com o Focus sinalizando inflação de 2025 abaixo do teto da meta pela primeira vez, o dado não alterou o sentimento defensivo. Além disso, o IBC-Br de setembro veio mais fraco, o que reforçou a leitura de desaceleração gradual da atividade. Contudo, economistas afirmaram que o indicador não deve mudar o cenário de curto prazo.

O câmbio refletiu a turbulência externa e voltou a pressionar o real. Assim, o dólar comercial fechou em alta de 0,66%, a R$ 5,331. Em seguida, os juros futuros acompanharam o movimento e avançaram ao longo de toda a curva.

Os economistas ressaltaram que a perda de tração em serviços indica que o ritmo da economia pode esfriar ainda mais no último trimestre. Portanto, o mercado segue atento às próximas leituras de atividade.

Ações têm dia misto, com Petrobras em alta e bancos puxando queda

Entre os destaques do pregão, PETR4 subiu 0,55% após nova descoberta na Bacia de Campos, que agradou investidores devido à qualidade do óleo e à profundidade favorável do poço. Já VALE3 perdeu força no fim da sessão e caiu 0,08%, mesmo com minério positivo.

O setor bancário pressionou forte o índice e impediu qualquer recuperação. BBDC4, ITUB4 e SANB11 recuaram, enquanto BBAS3 avançou, mas sem peso suficiente para evitar a queda do índice.

No lado positivo, EMBR3 subiu com novas encomendas. Além disso, frigoríficos mantiveram o bom momento: BEEF3 e MBRF3 tiveram altas relevantes, impulsionadas por análises favoráveis e melhora nas perspectivas de exportações.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.