Expectativas econômicas

Mercado surpreende e derruba projeções de inflação e dólar no Focus; veja o que mudou para 2025

Boletim mostra nova rodada de alívio para IPCA e câmbio, enquanto PIB e Selic seguem congelados nas expectativas do mercado.

banco central economia 0413202012
banco central economia 0413202012
  • Mercado revisa administrados para cima, apontando pressão no curto prazo.
  • Inflação e câmbio para 2025 recuam no Focus, reforçando cenário de alívio.
  • Projeções de PIB e Selic permanecem estáveis no horizonte dos economistas.

As previsões do Boletim Focus voltaram a apontar queda para as estimativas de inflação e câmbio em 2025, reforçando o cenário de menor pressão nos preços e de ajustes graduais nas projeções do mercado. O IPCA esperado para o próximo ano recuou de 4,55% para 4,46%, enquanto o dólar projetado caiu de R$ 5,41 para R$ 5,40.

Mesmo com essas revisões, os economistas mantiveram estáveis as apostas para o PIB de 2025, estimado em 2,16%, e para a Selic, que permanece em 15% ao ano. O relatório semanal do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (17), confirma um quadro de expectativas mais moderadas, porém ainda pressionado no médio prazo.

Inflação tem nova rodada de alívio, mas projeções de longo prazo seguem firmes

O recuo do IPCA para 2025 interrompeu apenas por uma semana a sequência de quedas que vinha se consolidando desde outubro. Agora, com a nova revisão, o mercado revisita um cenário mais benigno para preços, ainda que mantenha cautela devido às pressões persistentes em administrados e à inércia inflacionária. Essa combinação reforça o monitoramento sobre metas futuras.

Além disso, as projeções para 2026, 2027 e 2028 seguiram praticamente estáveis, com 4,20%, 3,80% e 3,50%, respectivamente. Esse comportamento indica que, embora o curto prazo mostre alívio, o horizonte mais longo continua sob influência de expectativas ancoradas, mas sem espaço relevante para quedas adicionais. Esse padrão ainda preocupa parte dos analistas, que defendem ajustes no mix de políticas econômicas.

Entre os demais índices, o IGP-M apresentou nova retração para 2025, caindo de -0,22% para -0,32%, na décima semana consecutiva de baixa. A queda também se estendeu para 2026, passando de 4,08% para 4,02%, enquanto 2027 e 2028 mostraram estabilidade relativa. Essa tendência confirma um ambiente de preços mais moderado, especialmente no atacado.

Preços administrados avançam e geram alerta adicional para 2025

Apesar do alívio no IPCA e no IGP-M, o Focus mostrou avanço nos preços administrados, que subiram pela terceira semana seguida para 5,06% em 2025. Esse movimento gera preocupação adicional, pois esses itens tendem a influenciar de maneira mais persistente a inflação, sobretudo em anos de forte pressão fiscal e ajustes tarifários programados.

Em 2026, a projeção para administrados ficou estável em 3,86%, enquanto 2027 apresentou recuo para 3,70%, reforçando a percepção de maior volatilidade apenas no curto prazo. Já para 2028, a estimativa permaneceu em 3,60%, reproduzindo a tendência de estabilidade que o mercado vinha observando. Essa leitura reforça a necessidade de calibragem nas projeções.

Além disso, o comportamento dessas variáveis influencia diretamente a confiança dos investidores e a dinâmica de expectativas futuras. Embora o índice geral venha cedendo, a pressão estrutural dos administrados coloca limites nos avanços do cenário desinflacionário.

PIB, câmbio e Selic seguem estáveis nas projeções do mercado

As estimativas para o PIB de 2025 permaneceram em 2,16%, mantendo estabilidade que já se repete há semanas. Para 2026, o número ficou em 1,78%, enquanto 2027 segue em 1,88% e 2028 permanece em 2,00% há impressionantes 88 semanas. Essa constância indica visão consolidada sobre a capacidade de crescimento do país no médio prazo.

No câmbio, as revisões foram pontuais. Embora o dólar para 2025 tenha recuado para R$ 5,40, as expectativas para 2026, 2027 e 2028 continuam fixadas em R$ 5,50, sem alteração. Esse comportamento reforça uma visão de estabilidade, ainda que com viés de cautela. A percepção de risco externo e fatores políticos domésticos influenciam a resistência a mudanças mais expressivas.

Em relação à Selic, o Focus trouxe novamente estabilidade: 15% para 2025, 12,25% para 2026, 10,50% para 2027 e 10,00% para 2028. Essa continuidade nas previsões evidencia um ciclo longo de juros altos, marcado por incertezas fiscais e desafios na ancoragem inflacionária.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.