Recuo

EUA surpreendem e devolvem competitividade ao Brasil com corte total de tarifas

Decisão zera taxação extra de 40% e reabre espaço para café, carnes e frutas brasileiras nos EUA.

Brasil-EUA
  • Exportadores devem retomar embarques, após meses de perdas com o tarifaço.
  • EUA zeram tarifa extra de 40%, devolvendo competitividade ao agro brasileiro.
  • Café, carnes e frutas voltam ao mercado americano com custos menores e margens maiores.

Os exportadores brasileiros ganharam um alívio expressivo após os Estados Unidos removerem a sobretaxa de 40% aplicada a produtos como café, carne bovina, frutas, açaí e cacau. A decisão, tomada de forma repentina durante o feriado no Brasil, reduz custos imediatamente e devolve fôlego às cadeias exportadoras.

Com o corte, esses itens voltam a entrar no mercado americano sem a taxação adicional, o que melhora margens, reduz pressões logísticas e recoloca o Brasil em condições mais equilibradas de disputa com outros países que também tiveram tarifas reduzidas recentemente.

Mudança encerra meses de tensão comercial

A remoção completa da sobretaxa marca o fim de uma sequência de ajustes tarifários iniciada em abril, quando os EUA aplicaram uma tarifa “recíproca” de 10% para diversos países.

Em julho, o governo ampliou a pressão e elevou a carga a 50% para itens brasileiros, o que derrubou embarques e encareceu operações. Na semana passada, Washington retirou apenas a tarifa global, mantendo o adicional ao Brasil. Agora, porém, o país zera por completo o tarifaço.

Além disso, a medida é retroativa: importa produtos liberados de armazéns desde 13 de novembro. Assim, empresas conseguem recuperar competitividade rapidamente. O gesto também reduz incertezas que travavam negociações no agro.

Com isso, itens como café, proteínas, frutas e derivados retomam o acesso normal ao mercado americano, um dos mais relevantes para essas cadeias e historicamente estratégico para o agronegócio brasileiro.

Pressão interna nos EUA explica recuo

O governo americano enfrentava aumento de preços de alimentos importados, justamente em categorias nas quais o país tem baixa produção doméstica. Portanto, o corte de tarifas busca conter a inflação e aliviar o custo de vida. Importadores e grandes varejistas pressionavam por mudanças há semanas.

Além disso, o momento político pesa. A perda de popularidade e derrotas eleitorais recentes elevaram a necessidade de entregar medidas de impacto imediato ao consumidor americano. Assim, a Casa Branca tenta reduzir tensões e garantir oferta suficiente antes das festas de fim de ano.

O recuo, contudo, também atende a setores empresariais que vinham enfrentando altos custos logísticos, já que a sobretaxa dificultava estoques, contratos e planejamento de safras.

Exportadores brasileiros voltam a ganhar espaço

Com tarifas zeradas, exportadores recuperam competitividade e retomam condições iguais às de concorrentes globais. Segundo analistas, o Brasil deve observar melhora gradual nos embarques já a partir das próximas semanas.

Durante o período do tarifaço, diversas empresas ampliaram mercados alternativos e ajustaram cadeias logísticas, reduzindo a dependência dos EUA. Agora, essa diversificação funciona como impulso adicional para a retomada. Além disso, a decisão envia sinal positivo para a diplomacia comercial e abre espaço para negociações bilaterais mais amplas.

Produtos recentemente liberados responderam por US$ 4,4 bilhões das exportações brasileiras aos EUA em 2024, cerca de 11% do total. Após a mudança, 55,4% das exportações para os EUA ficam livres de qualquer sobretaxa, contra 44,6% antes da ordem executiva.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.