Mercado de bebidas

Ação da Ambev (ABEV3) escorrega após dividendo bilionário frustrar o mercado

Apesar de anunciar R$ 7,3 bilhões em dividendos adicionais, a Ambev entrega menos do que o mercado esperava e ABEV3 cai 3%.

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  • Recomendações neutra e de venda reforçam cautela com o papel em 2026.
  • Pagamento extra de R$ 7,3 bilhões decepciona e faz ABEV3 cair 3%.
  • BBI e Goldman destacam frustração do mercado e cenário operacional pressionado.

A Ambev (ABEV3) aprovou um dividendo adicional de R$ 7,3 bilhões, acompanhado de R$ 4,2 bilhões em JCP, mas o valor ficou abaixo do que parte do mercado projetava para um pagamento extraordinário mais robusto.

Mesmo com retorno total estimado de R$ 20 bilhões aos acionistas em 2025, analistas apontam que a distribuição de apenas 5,4% adicionais decepcionou investidores e pressionou o papel nesta quarta-feira.

Mercado reage à distribuição considerada tímida

O pacote inclui R$ 0,4612/ação em dividendos e R$ 0,2690/ação em JCP (bruto). Além disso, somados aos dividendos regulares e ao programa de recompra iniciado em outubro, o payout chega a 130% do lucro estimado e um yield próximo de 9%.

Ainda assim, o Bradesco BBI afirma que o mercado esperava um pagamento mais agressivo, o que explica a queda de 3,08% de ABEV3, negociada a R$ 13,22 no início da sessão.

Segundo o banco, a companhia mantém alocação prudente de capital, apoiada em caixa líquido robusto de R$ 16,9 bilhões, mas sem sinalizar mudança estrutural na política de dividendos.

Custo de capital alto e incertezas limitam espaço para ousadia

O BBI destaca que ampliar dívida seria ineficiente, já que o benefício fiscal é limitado pelo uso de créditos tributários. Além disso, o custo de capital elevado no Brasil torna arriscado antecipar pagamentos antes da nova tributação sobre dividendos.

A ausência de uma política clara reduz previsibilidade sobre futuras distribuições extraordinárias. Contudo, o banco reforça que o cenário operacional segue fraco, com pressão competitiva, custos maiores e um setor de cerveja mais lento.

Com ABEV3 negociando a 14,3x P/L para 2026, um prêmio de 19% ante pares globais, o BBI mantém postura cautelosa e recomendação neutra.

Goldman vê frustração repetida e mantém venda para ABEV3

Para o Goldman Sachs, o retorno ao acionista é relevante, porém ainda abaixo das expectativas mais amplas. O pagamento total de fim de ano, estimado em R$ 11,4 bilhões, ficou distante do intervalo esperado por parte do mercado, que ia de R$ 10 bilhões a R$ 35 bilhões.

Ainda assim, o Goldman calcula que a Ambev teria espaço para distribuir até R$ 31,9 bilhões no futuro, considerando a atual estrutura de balanço.

O banco lembra que é o segundo ano consecutivo em que ABEV3 sobe no fim do ano com expectativas de movimentos mais agressivos e o segundo em que o anúncio frustra investidores. Por isso, mantém recomendação de venda.

Ambiente estrutural segue pressionado para 2026

Para o Goldman, juros altos por mais tempo diminuem os benefícios de proteger acionistas da tributação iminente de dividendos. Além disso, há um descompasso entre a urgência dos investidores e a postura mais cautelosa da administração.

O banco reforça que 2026 deve ser desafiador: setor bem penetrado, concorrência crescente, mudanças no consumo, erosão de valor da marca Skol, oferta maior no mercado e inflação de custos acima da geral.

Esse conjunto, segundo a análise, obrigará empresas a escolher novamente entre crescimento ou margens, reduzindo espaço para surpresas positivas.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.