Abaixo das estimativas

Inflação surpreende e IPCA trava em novembro; mercado recalcula apostas

Índice sobe apenas 0,18%, abaixo do previsto, enquanto passagens aéreas puxam pressão no mês.

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  • Regiões mostram contraste, com Goiânia em alta forte e Aracaju em queda.
  • IPCA sobe 0,18%, abaixo do esperado, com peso das passagens aéreas.
  • Alimentação recua e limita pressão, apesar de difusão maior entre itens.

O IPCA avançou 0,18% em novembro, resultado que ficou abaixo das estimativas do mercado e reforçou a leitura de que a inflação perdeu força na reta final do ano. Analistas esperavam alta de 0,20%, segundo consenso da Reuters.

Apesar da pressão das passagens aéreas, o índice manteve ritmo moderado e acumulou 4,46% em 12 meses, enquanto o mercado ajusta projeções para juros e atividade no início de 2026.

IPCA desacelera e frustra projeções do mercado

O IBGE informou que o avanço de 0,18% representa o menor resultado para novembro desde 2018. Além disso, a leitura anual de 4,46% recuou frente aos 4,49% esperados pelos economistas. O dado reforçou a sensação de estabilidade, mesmo após alta de preços em segmentos específicos.

As passagens aéreas subiram 11,9% e responderam por 0,07 p.p. do índice, impulsionando o grupo de serviços. Entretanto, a energia elétrica residencial, com alta de 1,27%, também contribuiu para o movimento. O impacto se distribuiu entre reajustes autorizados em diferentes concessionárias.

Ainda assim, itens de maior peso na mesa do brasileiro, como tomate, arroz e produtos de higiene, registraram queda e ajudaram a limitar o avanço geral. O tomate caiu 10,38% e o arroz recuou 2,86%, garantindo algum alívio para o consumidor.

Alimentação volta ao negativo e suaviza pressão interna

O grupo Alimentação e bebidas encerrou o mês com variação de -0,01%, refletindo nova desaceleração nos preços dentro do domicílio. Essa dinâmica marcou o sexto mês consecutivo de queda na alimentação básica. Assim, mesmo com difusão maior, a magnitude das reduções garantiu impacto negativo no índice.

Os serviços, por outro lado, subiram 0,60%, movimento impulsionado pela passagem aérea e hospedagem. Apesar disso, a intensidade permaneceu controlada quando comparada ao comportamento do setor nos meses anteriores.

Nos preços monitorados, a energia elétrica sustentou o avanço de 0,21%, revertendo a queda registrada em outubro. O quadro reforçou a leitura de que choques administrados, embora relevantes, seguiram dentro de um padrão previsível.

Regiões exibem trajetórias distintas no mês

Entre as áreas pesquisadas, Goiânia registrou a maior variação, com 0,44%, puxada por alta na energia elétrica residencial e nas carnes. O desempenho superou a média nacional e refletiu ajustes tarifários relevantes no estado.

Além disso, a menor variação ocorreu em Aracaju, que caiu 0,10%. O resultado acompanhou recuos no conserto de automóveis e na gasolina, que apresentaram reduções significativas no período.

Essa dispersão regional, ainda que esperada, indica como efeitos localizados seguem influenciando a composição do IPCA. Assim, o comportamento de tarifas e alimentos continua decisivo para a leitura final.

INPC avança menos e reforça tendência branda

O INPC registrou alta de apenas 0,03%, ritmo inferior ao de outubro e bem distante da inflação registrada no mesmo mês do ano anterior. O índice acumula 4,18% em 12 meses, reforçando um cenário de alívio para famílias de renda mais baixa.

Os produtos alimentícios recuaram -0,06% e compensaram a leve pressão dos itens não alimentícios, que avançaram para 0,06%. Como resultado, a composição do índice manteve estabilidade diante de pressões isoladas.

Goiânia, novamente, apresentou a maior variação na leitura mensal, enquanto Belém ficou com a menor, devido à queda expressiva no ônibus urbano e em itens de higiene pessoal.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.