
Projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado indica que o governo encerrará 2026, último ano do mandato de Lula, com déficit primário de R$ 148 bilhões (-1,2% do PIB), valor totalmente fora do limite permitido pelo arcabouço fiscal.
O governo Lula deve fechar 2026 com um rombo primário de R$ 148 bilhões, segundo relatório mensal da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico do Senado Federal, divulgado nesta terça-feira (10).
O número representa -1,2% do PIB e fica completamente fora da meta fiscal estabelecida pelo arcabouço fiscal, que permite déficit zero com tolerância de apenas 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos (cerca de R$ 25 bilhões). Ou seja, o rombo projetado supera o teto permitido em aproximadamente R$ 173 bilhões.
Trajetória de gastos segue acima do limite
As projeções da IFI levam em conta o cenário atual de receitas e despesas, sem considerar eventuais contingenciamentos ou pacotes de arrecadação que o governo ainda possa anunciar. O documento destaca que as despesas primárias continuam crescendo acima do limite de 2,5% ao ano (corrigido pela inflação) estabelecido pela nova regra fiscal, enquanto a receita não acompanha o mesmo ritmo.
Legado para o próximo mandato
Com isso, o próximo presidente da República – que toma posse em 1º de janeiro de 2027 – herdará um déficit primário expressivo e uma situação fiscal já fora das metas legais, em um contexto de juros altos e pressão sobre a dívida pública.
A IFI também revisou para pior a estimativa de 2025: o déficit primário deste ano deve ficar em R$ 28 bilhões (0,2% do PIB), também acima da banda de tolerância.
O que é a IFI
Criada em 2016, a Instituição Fiscal Independente é um órgão de assessoramento técnico do Senado Federal responsável por análises imparciais das contas públicas. Seus relatórios servem de referência para parlamentares, mercado financeiro, Banco Central e organismos internacionais.
Até o momento, o Ministério da Fazenda não se pronunciou sobre as novas projeções da IFI.