
- Bancos centrais somam 850 pontos-base em cortes em 2025
- 2026 pode trazer mudança de tom em parte das economias desenvolvidas
- Emergentes entregam 3.085 pontos-base, maior afrouxamento desde 2021
Os principais bancos centrais do mundo promoveram em 2025 o maior movimento de afrouxamento monetário em mais de uma década, revertendo o ciclo de aperto iniciado após a pandemia. Assim, o ritmo e a escala dos cortes superaram os observados desde a crise financeira global.
Ao todo, nove bancos centrais das 10 moedas mais negociadas reduziram juros ao longo do ano, somando 850 pontos-base em 32 cortes. Com isso, 2025 registrou o maior número de reduções desde 2008 e a maior intensidade desde 2009.
Afrouxamento nas economias desenvolvidas
Entre as autoridades que cortaram juros estão o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e os bancos centrais de Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Noruega e Suíça. Portanto, o movimento foi amplo e sincronizado.
A decisão marca uma reversão clara em relação a 2022 e 2023, quando os juros subiram para conter a inflação após o choque nos preços de energia. Enquanto isso, o Japão seguiu na direção oposta em 2025, elevando sua taxa básica duas vezes.
Nos últimos meses do ano, o ritmo começou a perder força. No entanto, em dezembro, apenas Fed e Banco da Inglaterra voltaram a cortar juros entre os principais BCs.
Emergentes ampliam ritmo de cortes
Nas economias emergentes, o afrouxamento foi ainda mais intenso. Assim, oito bancos centrais realizaram 350 pontos-base em cortes apenas em dezembro, incluindo Turquia, Rússia, Índia, México, Tailândia, Filipinas, Polônia e Chile.
No acumulado de 2025, os emergentes entregaram 3.085 pontos-base em 51 movimentos, superando com folga os 2.160 pontos de 2024. Além disso, o volume representa o maior esforço de flexibilização desde pelo menos 2021.
Apesar disso, ainda houve 625 pontos-base em altas ao longo do ano. Por outro lado, o número ficou bem abaixo do aperto registrado em 2024.
Expectativas para 2026
Analistas apontam que 2026 pode marcar uma mudança de tom em parte das economias desenvolvidas. Assim, sinais recentes indicam postura mais cautelosa de bancos centrais como Canadá e Austrália.
No caso dos emergentes, o cenário segue mais favorável a novos cortes. Portanto, a combinação de inflação mais controlada e crescimento moderado abre espaço para a continuidade do afrouxamento.
O comportamento do Federal Reserve também permanece no radar. Com isso, mercado de trabalho e dinâmica inflacionária devem ditar o ritmo das decisões ao longo do próximo ano.