
O ano de 2025 consolidou o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma economia de contrastes: avanços em alguns indicadores sociais mas graves problemas fiscais, crises profundas em estatais e escândalos de corrupção que minaram a confiança pública.
A dívida pública atingiu patamares inéditos, enquanto perdas bilionárias em empresas como os Correios e uma megafraude no INSS, com suposto envolvimento do irmão e filho de Lula, Lulinha, expuseram fragilidades na gestão econômica e política. Esta retrospectiva traça o balanço do ano, destacando os principais desafios.
Dívida pública em Nível Recorde
O endividamento público fechou o ano em aproximadamente R$ 8,5 trilhões, alcançando cerca de 78-79% do PIB – o maior patamar em anos. Esse crescimento acelerado reflete o impacto de juros elevados, com a Selic mantida em níveis altos, e despesas crescentes que pressionaram o Orçamento. O governo precisou contingenciar bilhões para compensar rombos, enquanto analistas alertaram para riscos de sustentabilidade fiscal a longo prazo.
Crise nas Estatais: Prejuízos Bilionários e Quase Falência dos Correios
As estatais federais acumularam déficits superiores a R$ 9 bilhões em 2025, superando recordes anteriores e pressionando as contas públicas. O caso mais crítico foi o dos Correios, que registraram prejuízos na casa dos R$ 5-6 bilhões apenas no ano, com projeções iniciais apontando para rombos ainda maiores sem reestruturação. A empresa enfrentou deterioração financeira acelerada, obrigando o governo a bloquear verbas ministeriais e buscar planos de recuperação, incluindo demissões voluntárias e parcerias.
Outras estatais contribuíram para o rombo agregado, revertendo superávits do governo Bolsonaro e ampliando a necessidade de aportes da União.
Escândalos e Fraudes: O Maior Roubo aos Aposentados da História
2025 foi marcado por revelações chocantes de corrupção, com destaque para a megafraude no INSS, considerada uma das maiores da história brasileira. Investigada pela Polícia Federal e CGU na Operação Sem Desconto, o esquema envolveu descontos indevidos em benefícios de milhões de aposentados e pensionistas, com prejuízos estimados em mais de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2025. Associações e sindicatos cadastravam falsamente beneficiários para cobrar mensalidades não autorizadas, afetando até 4 milhões de pessoas.
O escândalo levou à demissão de presidentes do INSS, saída de ministros e uma CPMI no Congresso, com prisões e buscas. O governo anunciou ressarcimentos, mas o caso expôs falhas de controle e gerou guerra política sobre responsabilidades.
Além disso, o ano viu acusações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Seu nome surgiu em investigações da PF, com menções em agendas apreendidas, mensagens e depoimentos ligando-o a operadores do esquema no INSS, como o “Careca do INSS”.
Relatos apontaram viagens conjuntas, pagamentos suspeitos e possível “mesada” de centenas de milhares de reais. Embora não seja formalmente investigado por envolvimento direto nas fraudes, as citações frequentes em conversas e documentos alimentaram debates sobre proximidade com lobistas e beneficiários do esquema. A CPMI rejeitou sua convocação, mas o caso gerou desgaste político significativo.
Irregularidades em outras áreas, como problemas no PIX e consignados, completaram um ano de vexames na governança.
Alta de Impostos: Uma Média de Um Novo Aumento a Cada Poucos Meses
O governo Lula adotou ao menos 25 a 37 medidas para elevar a arrecadação desde 2023, com várias implementadas ou intensificadas em 2025, resultando em uma carga tributária recorde – a maior em anos, superando 34% do PIB em projeções consolidadas. Entre as principais ações do ano destacam-se o aumento do IOF em operações financeiras, crédito para empresas e câmbio; a reoneração gradual da folha de pagamentos; o fim de benefícios fiscais como o Perse; elevação na tributação de bets (de 12% para até 18% em alguns casos) e fintechs; taxação de títulos incentivados como LCI e LCA; e restrições a compensações tributárias.
Esses ajustes, somados a reonerações anteriores como PIS/Cofins sobre combustíveis e importações abaixo de US$ 50, contribuíram para uma arrecadação federal recorde, ultrapassando R$ 2,6 trilhões no acumulado até novembro. Críticos apontam que os aumentos sucessivos corroeram o poder de compra, especialmente da classe média, sem cortes equivalentes em gastos públicos, agravando a percepção de ineficiência fiscal.
Perspectivas para 2026
O balanço de 2025 deixa um legado de fragilidades: dívida elevada, estatais em crise e escândalos que erodem credibilidade. Para o ano eleitoral, especialistas cobram reformas urgentes para evitar piora nas contas e restaurar confiança no mercado.