
- Desemprego caiu para 5,2% em novembro, novo recorde de baixa
- Renda média segue em alta, reforçando mercado de trabalho aquecido
- Emprego total voltou a crescer, com avanço da ocupação formal
Os dados da PNAD Contínua de novembro, divulgados pelo IBGE, confirmaram um mercado de trabalho forte no encerramento de 2025. A taxa de desemprego caiu para 5,2%, novo recorde de baixa, enquanto a ocupação cresceu, a informalidade recuou e a renda média seguiu em alta.
Com isso, o quadro reforça a leitura de um mercado aquecido e apertado, o que tende a manter pressão sobre a inflação de serviços nos próximos meses.
Queda do desemprego
Em novembro, o desemprego recuou de 5,4% para 5,2%, contrariando a expectativa do mercado, que projetava estabilidade. Ao mesmo tempo, a taxa trimestral móvel, com ajuste sazonal, caiu de 5,8% para 5,5%.
Além disso, estimativas da XP indicam queda ainda maior. Segundo cálculos próprios, a taxa mensal ajustada recuou de 5,5% para 5,1%, reforçando o cenário de aperto no mercado de trabalho.
Assim, o indicador permanece bem abaixo do nível considerado neutro, o que dificulta uma reversão rápida desse quadro.
Emprego volta a crescer
Outro destaque foi a retomada do crescimento do emprego total, após três meses consecutivos de leve retração. Em novembro, a XP estima alta de 0,8% na comparação mensal, levando o total de ocupados a 102,8 milhões de pessoas.
Na comparação anual, o emprego cresceu 1,1%, enquanto o ganho em 12 meses chegou a 2,1%. Parte relevante desse avanço veio do setor de administração pública, que adicionou centenas de milhares de vagas no mês.
Apesar disso, analistas ressaltam que o setor público é menos sensível ao ciclo econômico, o que impede uma leitura de enfraquecimento da política monetária.
Formalização e renda
O emprego formal seguiu resiliente. Em novembro, as ocupações formais cresceram 0,9% no mês e 2,9% em relação ao ano anterior, alcançando 64 milhões de trabalhadores.
Por outro lado, o emprego informal caiu 1,8% na comparação anual, marcando a quarta queda consecutiva, embora tenha avançado levemente no mês. Dessa forma, a informalidade segue em trajetória de acomodação.
Enquanto isso, a renda média do trabalhador manteve evolução positiva. No trimestre encerrado em novembro, a renda cresceu 1,8%, enquanto o avanço anual chegou a 4,5%, impulsionado pela desinflação e pela absorção gradual de mão de obra.
Perspectivas para 2026
Economistas projetam que o mercado de trabalho seguirá resiliente em 2026.
As estimativas apontam para uma taxa de desemprego abaixo de 6% tanto em 2025 quanto no próximo ano, patamar historicamente baixo para o Brasil.
Ainda assim, o cenário traz desafios. A valorização recente do dólar pode atrasar o início do ciclo de cortes da Selic, embora a expectativa siga sendo de normalização do câmbio e abertura de espaço para flexibilização monetária ao longo de 2026.