
Em um desdobramento significativo das relações bilaterais, os Estados Unidos repassaram US$ 300 milhões (equivalente a aproximadamente R$ 1,6 bilhão, considerando a cotação do dólar em torno de R$ 5,33) ao governo interino da Venezuela. O anúncio foi feito pela presidenta interina Delcy Rodríguez em 20 de janeiro de 2026, durante pronunciamento transmitido pelo canal estatal VTV.
Recursos da venda de petróleo
Esse valor representa a primeira parcela significativa dos recursos gerados pela venda de petróleo venezuelano, agora controlada pelos Estados Unidos. Da primeira operação comercial, avaliada em US$ 500 milhões, US$ 300 milhões já foram transferidos diretamente para o país sul-americano. Os fundos foram depositados inicialmente em uma conta no Catar e, em seguida, direcionados a quatro bancos venezuelanos e ao Banco Central da Venezuela (BCV).
O objetivo principal é estabilizar o mercado cambial em uma economia altamente dolarizada, onde o dólar paralelo frequentemente supera em até 100% o oficial. Rodríguez explicou que os recursos serão usados para:
- Financiar salários de trabalhadores públicos e do setor privado;
- Proteger o poder de compra da população contra a inflação persistente;
- Reduzir a volatilidade cambial, permitindo que empresas importadoras acessem divisas para pagamento de insumos essenciais.
Recursos estabilizarão dólar
Os recursos serão injetados por meio do sistema bancário nacional, possibilitando a venda controlada de dólares a empresas prioritárias. Essa medida busca aliviar a escassez crônica de divisas estrangeiras, que agravou a crise econômica nos últimos anos.
O repasse ocorre no contexto de um acordo energético histórico anunciado pelo presidente Donald Trump em 6 de janeiro de 2026, logo após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Sob o novo arranjo, Washington assumiu o controle da comercialização do petróleo venezuelano no mercado global. A primeira fase envolve o envio de até 50 milhões de barris aos Estados Unidos, vendidos a preços de mercado (atualmente em torno de US$ 55-56 por barril para o Brent).
Trump descreveu o acordo como benéfico para ambos os lados. Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 21 de janeiro de 2026, ele afirmou: “A Venezuela vai se sair fantasticamente bem. Nós agradecemos toda a cooperação. Assim que o ataque terminou, eles disseram: ‘vamos fazer um acordo’. Mais pessoas deveriam fazer isso”. O presidente americano ainda projetou que o país “fará mais dinheiro nos próximos seis meses do que nos últimos 20 anos”, destacando o potencial de receita futura.
Do ponto de vista geopolítico, o acordo reforça a política “America First”, reduzindo a influência de atores como China e Rússia no setor energético venezuelano e combatendo fluxos de narcotráfico e imigração irregular. Trump pressionou empresas americanas, como Chevron e Exxon, a investir bilhões — com estimativas de até US$ 100 bilhões — na revitalização da infraestrutura petrolífera deteriorada da Venezuela, visando elevar a produção e baixar preços internos nos EUA.
Para o mercado global de energia, a injeção de volumes venezuelanos pode adicionar US$ 2,8 bilhões em receitas iniciais, dependendo do ritmo das vendas. No entanto, desafios persistem: a indústria considera o país “não investível” devido à instabilidade recente, e há questionamentos sobre transparência nas primeiras transações.