
O governo Lula encerrou o ano de 2025 com um déficit primário total de R$ 61,7 bilhões, equivalente a 0,48% do PIB, representando o oitavo pior resultado da história sem considerar exceções fiscais. Esse desempenho marca o terceiro ano consecutivo de contas no vermelho durante o atual mandato, com uma piora de cerca de 44% em relação ao rombo de R$ 42,9 bilhões registrado em 2024.
Apesar do resultado negativo, o governo cumpriu formalmente a meta fiscal de déficit zero, graças a exclusões de R$ 48,7 bilhões em despesas, como precatórios (R$ 41,1 bilhões), ressarcimentos ao INSS e gastos em educação, saúde e defesa, além de uma banda de tolerância de 0,25% do PIB.
De acordo com dados do Tesouro Nacional, as receitas líquidas cresceram 2,8% em termos reais, totalizando R$ 2,366 trilhões, enquanto as despesas subiram 3,4%, alcançando R$ 2,427 trilhões. Os investimentos públicos caíram 7,6% em termos reais, para R$ 84,255 bilhões, refletindo pressões fiscais contínuas.
Déficit de R$ 55,02 bilhões do setor público
O Banco Central reportou um déficit primário consolidado do setor público de R$ 55,021 bilhões (0,43% do PIB), com o governo central contribuindo com R$ 58,687 bilhões desse rombo. Adicionalmente, as estatais federais, estaduais e municipais registraram o segundo pior déficit da série histórica, de R$ 5,87 bilhões, superado apenas pelo de 2024 (R$ 8 bilhões).
Historicamente, o resultado de 2025 é o pior desde 2023, quando o déficit atingiu R$ 250,1 bilhões (corrigido pela inflação). O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, defendeu o desempenho, afirmando que não há piora no quadro fiscal e destacando que é o segundo ano consecutivo com déficit abaixo de 0,5% do PIB, algo inédito na década.
Gastos fora da meta
No entanto, especialistas criticam as exceções. A Instituição Fiscal Independente (IFI) alerta que o cumprimento formal não melhora a posição fiscal, com dificuldades crescentes para metas futuras devido a pressões em despesas. Margarida Gutierrez, professora da UFRJ, afirmou que “o fato de ter conquistado a meta não tem o menor significado”, pois os gastos excluídos aumentam a dívida pública.
Críticos apontam para o aumento de gastos acima do teto (3,4% vs. 2,5%), comparável ao período pré-teto de gastos (1997-2016). Em redes sociais, como o X (antigo Twitter), o tema gerou debate acalorado. Usuários destacaram o rombo de R$ 55 bilhões e prejuízos em estatais, contrastando com o superávit de R$ 54 bilhões em 2022 sob Bolsonaro. Outros enfatizaram a piora fiscal no governo Lula.
Para 2026, o governo projeta superávit de 0,25% do PIB, e para 2027, 0,5%, com alívios como o fim de complementações ao Fundeb. No entanto, analistas preveem desafios, incluindo o déficit externo de US$ 69 bilhões em 2025 (3% do PIB), o pior em 11 anos. Para investidores, isso sinaliza riscos à dívida pública e à estabilidade econômica, potencialmente impactando juros e câmbio.