Mercado cripto

Bitcoin afunda, tem pior sequência desde 2019 e perde até para o ouro

Criptomoeda acumula quatro quedas mensais, reage como ativo de risco e amplia correção em meio a juros e liquidez mais restritos.

Bitcoin afunda, tem pior sequência desde 2019 e perde até para o ouro
  • Bitcoin acumula quatro quedas mensais, pior sequência desde 2019
  • Ativo teve desempenho inferior ao ouro, inclusive na correção
  • Mercado ainda trata o BTC como ativo de risco, não como proteção

O Bitcoin (BTC) entrou em fevereiro pressionado após registrar a pior sequência de quedas mensais desde 2019, acumulando quatro baixas consecutivas e encerrando janeiro próximo de US$ 78,5 mil.

A criptomoeda caiu mais de 10% no mês, perdeu o nível de US$ 80 mil e teve desempenho inferior ao ouro, inclusive durante a recente correção dos metais.

Liquidação expõe fragilidade no curto prazo

A pressão se intensificou no fim de janeiro, após a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, o que levou o mercado a rever expectativas sobre juros e liquidez.

Segundo a Coinbase, o movimento reforçou a leitura de uma política monetária potencialmente mais restritiva, afetando ativos sensíveis ao ciclo financeiro.

Nesse contexto, o Bitcoin reagiu como ativo de risco, ampliando perdas junto a ações e outros mercados voláteis.

Ouro sobe, corrige e o Bitcoin não protege

Durante o mês, o ouro subiu com a busca por proteção, mas passou por forte realização no fim de janeiro, com queda próxima de 11% em um único dia.

Mesmo assim, o Bitcoin não acompanhou a alta e caiu ainda mais durante a correção, frustrando investidores que esperavam comportamento defensivo.

Para analistas, o episódio reforça que o ouro segue sendo o principal refúgio, enquanto o Bitcoin ainda não cumpre esse papel em crises.

Mercado ainda vê Bitcoin como ativo de risco

Segundo gestores internacionais, o Bitcoin continua sendo tratado como ativo de risco, apesar dos avanços institucionais e regulatórios recentes.

Em momentos de estresse, investidores tendem a vender ativos mais líquidos, grupo no qual o BTC ainda se encaixa.

Além disso, estudos apontam que a correlação entre ouro e Bitcoin permanece baixa, o que enfraquece a tese de migração automática entre os dois.

O que pode destravar uma recuperação

Analistas destacam que os fundamentos de longo prazo permanecem intactos, mas o curto prazo segue dependente do cenário macroeconômico.

Entre os gatilhos positivos estão melhora da liquidez global, queda dos juros, avanços regulatórios nos EUA e retomada do apetite por risco.

Enquanto isso, o Bitcoin segue pressionado, negociado abaixo de US$ 77 mil, aprofundando a correção iniciada em janeiro.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.