
- JPMorgan elevou Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) para recomendação de compra.
- Banco vê potencial de valorização de até 55% para as duas incorporadoras.
- MRV (MRVE3) foi rebaixada após corte nas projeções para a Resia.
O JPMorgan revisou sua visão para o setor de construção residencial e reforçou a aposta nas incorporadoras focadas no segmento de baixa renda. O banco elevou as recomendações de Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) para compra, enquanto rebaixou a MRV (MRVE3) para neutra.
A revisão ocorre em meio a um cenário de juros elevados e maior seletividade dos investidores. Na avaliação do banco, empresas ligadas ao programa habitacional popular continuam oferecendo a melhor combinação entre crescimento, rentabilidade e valuation.
Cury ganha recomendação de compra e pode subir 50%
A Cury (CURY3) foi elevada para overweight, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 43,50.
Segundo o JPMorgan, a incorporadora combina forte rentabilidade com valuation atrativo. As ações negociam a cerca de 7,2 vezes o lucro estimado para 2026, enquanto o banco projeta ROE de 82%, o maior entre as empresas cobertas.
Além disso, a expectativa de dividend yield de 9% reforça a atratividade do papel. Com isso, o banco vê potencial de valorização próximo de 50% até o fim de 2026.
Direcional entra entre as favoritas do banco
A Direcional (DIRR3) também recebeu recomendação de compra e passou a figurar entre as preferidas do JPMorgan.
O banco destaca o potencial de valorização do banco de terrenos da companhia em Belo Horizonte e a parceria com a Moura Dubeux (MDNE3) para expansão de projetos habitacionais no Nordeste.
Na visão dos analistas, essas iniciativas podem adicionar cerca de R$ 1 bilhão por ano em vendas contratadas, além de contribuir para a expansão das margens. O preço-alvo indica potencial de valorização próximo de 55%.
MRV perde espaço após revisão da Resia
Na direção oposta, a MRV (MRVE3) foi rebaixada para neutra.
O JPMorgan reduziu significativamente suas projeções para a subsidiária americana Resia, avaliando que a operação ainda deverá enfrentar perdas adicionais durante o processo de desinvestimento.
Como resultado, o banco cortou em 70% sua estimativa de lucro por ação para 2026 e em 35% para 2027. Apesar do valuation descontado, a elevada alavancagem continua sendo um dos principais pontos de preocupação para os analistas.
Tenda segue líder entre as recomendações
Mesmo com a melhora na visão para Cury e Direcional, a principal escolha do JPMorgan continua sendo a Tenda (TEND3).
O banco destaca a recuperação operacional da companhia, o potencial de crescimento da subsidiária Alea e o valuation considerado um dos mais baratos do setor.
As ações negociam a aproximadamente 5,4 vezes o lucro projetado para 2026, abaixo dos múltiplos observados em outras incorporadoras de baixa renda.