
- JP Morgan questiona a sustentabilidade do rali puxado por estrangeiros na B3
- Banco vê 2T e 3T mais desafiadores, com eleições no radar
- Continuidade dos fluxos será decisiva para novas altas da Bolsa
O JP Morgan acendeu um sinal de alerta para o mercado brasileiro após o forte fluxo estrangeiro para a B3 em janeiro. Para os estrategistas do banco, o desempenho recente pode não se sustentar caso os ingressos diminuam.
Em janeiro, a B3 recebeu R$ 26,3 bilhões em capital estrangeiro, superando todo o fluxo de 2025, enquanto o Ibovespa avançou 12,6%, no melhor janeiro desde 2006.
Por que o banco vê risco
Segundo o JP Morgan, a história doméstica ainda é frágil para sustentar o mercado sem ajuda dos fluxos. Além disso, o banco lembra que o ciclo de cortes de juros já foi amplamente precificado.
Outro ponto de atenção envolve as eleições, que historicamente pressionam ativos brasileiros. Em cinco das seis eleições deste século, o real se desvalorizou e a Bolsa caiu nos seis meses anteriores ao pleito.
Diante disso, o banco projeta que o mercado pode fazer topo entre o fim do 1T e o início do 2T, abrindo espaço para dois trimestres mais desafiadores, especialmente se o dólar não ajudar.
Juros, eleições e fluxo
O JP Morgan avalia que a Bolsa costuma andar mais antes do início dos cortes de juros do que durante o ciclo. Por isso, o rali recente pode ter antecipado parte relevante do movimento.
Apesar disso, o banco destaca que os juros reais seguem elevados, em torno de 7,6%, o que limita ganhos estruturais sem uma melhora clara do quadro fiscal.
Ainda assim, o banco mantém uma visão construtiva para emergentes. Para novas altas no Brasil, porém, o JP Morgan ressalta que os fluxos precisam continuar, já que valuation, sozinho, pode não ser suficiente.