
- Preço-alvo de Assaí (ASAI3) cai para R$ 11,70, mas Santander mantém Outperform
- SSS 2026 é revisado para +1,7%, com margem EBITDA (ex-IFRS) em 5,6%
- Lucro 2026 sofre corte de 13%, com vendas fracas pesando mais que a queda dos juros
O Santander revisou para baixo o preço-alvo de Assaí (ASAI3) em 2026, de R$ 14,80 para R$ 11,70, mas manteve recomendação Outperform. Com a ação a R$ 8,91, o banco ainda enxerga potencial de valorização, apesar de um ano mais apertado para o setor.
A leitura central é que a melhora dos juros pode não compensar a pressão operacional. Vendas fracas, inflação de alimentos mais comportada e consumo pressionado devem pesar no resultado da companhia, enquanto mudanças no comportamento do consumidor seguem no radar.
O que mudou no “case” do ASAI3
O Santander incorporou um cenário mais conservador para Assaí (ASAI3), com SSS estimado em +1,7% em 2026, abaixo da projeção anterior de +3,8%. Ainda assim, o banco espera melhora gradual no segundo semestre, após um início de ano mais fraco.
Além disso, o modelo passou a considerar menor espaço para diluição de custos. A estrutura de despesas segue rígida e limita ganhos operacionais, levando a uma projeção de margem EBITDA (ex-IFRS) de 5,6%, com queda anual de cerca de 17 pontos-base.
Por fim, o Santander reduziu a estimativa de lucro líquido de 2026 em 13%, além de cortes semelhantes nas projeções de 2027 e 2028. O ajuste reflete a expectativa de menor tração nas vendas e risco de desalavancagem operacional mais lenta.
Juros ajudam, mas vendas seguem decisivas
O banco avaliou que o efeito positivo da queda dos juros ainda não é suficiente para compensar a fraqueza das vendas no curto prazo. O cenário-base considera Selic média de 13,4% em 2026 e 12,5% no fim do ano, mas parte desse alívio já estaria precificada em Assaí (ASAI3).
Com isso, o desempenho do papel tende a depender mais da evolução do volume e da inflação de alimentos do que do ciclo de cortes de juros. O foco, portanto, segue no desempenho operacional do cash & carry.
Mesmo assim, o Santander destaca que a empresa mantém uma tese sólida no longo prazo, com FCFE yield médio de 18,5% entre 2027 e 2030 e potencial de redução da alavancagem para 1,5x dívida líquida/EBITDA em 2028.