Excedente global

Petróleo “preso no mar” pode empurrar preços para cima e surpreender investidores

Relatório do Goldman Sachs aponta escassez artificial em terra mesmo com excesso global de oferta.

Crédito: Depositphotos
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  • 375 milhões de barris estão armazenados em navios e não chegam ao consumo
  • Escassez artificial sustenta o Brent mesmo com excedente global
  • Mudanças geopolíticas podem provocar forte alta ou queda rápida nos preços

Mesmo com produção elevada no mundo, o petróleo pode ficar mais caro. Um estudo do Goldman Sachs indica que milhões de barris não chegam ao consumidor porque permanecem armazenados em navios.

Além disso, essa dinâmica cria um efeito inesperado. O excesso global existe, porém não aparece nos centros de formação de preços, o que sustenta o Brent perto das máximas recentes.

Estoques no mar mudam a lógica dos preços

Segundo o banco, o excedente global atingiu cerca de 1,5 milhão de barris por dia em 2025. Porém, os preços não caíram porque grande parte do volume não entrou no circuito comercial tradicional.

Isso ocorre porque o petróleo sancionado permanece armazenado em embarcações. Assim, embora exista oferta, ela não chega aos estoques terrestres monitorados por investidores e refinarias.

Hoje, Rússia, Irã e Venezuela acumulam cerca de 375 milhões de barris em navios, alta de 130 milhões em um ano. Consequentemente, os estoques em terra permanecem estáveis e mantêm o preço sustentado.

O que pode acontecer com o Brent

O Goldman estima que, se 1 milhão de barris por dia continuar retido no mar por um ano, o Brent pode subir até US$ 8. Por outro lado, a liberação desse petróleo derrubaria rapidamente as cotações.

A dinâmica depende também da Ásia. Refinarias chinesas reduziram compras após esgotarem cotas de importação, enquanto sanções elevaram riscos comerciais e afastaram compradores.

Ainda assim, qualquer mudança geopolítica pode alterar tudo. Um alívio nas sanções ou novas negociações internacionais poderia liberar estoques e pressionar os preços para baixo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.