
- Reforma tributária pode eliminar R$ 700 milhões anuais de ineficiência fiscal
- Preço-alvo da ITSA4 sobe para R$ 17,50 com potencial retorno de 26%
- Redução do desconto da holding tende a aproximar desempenho do Itaú
O JP Morgan passou a indicar preferência pela Itaúsa (ITSA4) em relação ao Itaú Unibanco (ITUB4). O banco acredita que uma mudança tributária relevante deve reduzir o desconto histórico da holding e liberar valor para o acionista.
Hoje a holding negocia com cerca de 22% de desconto sobre o valor patrimonial. Entretanto, a expectativa é de queda para perto de 15% ou até 10% conforme a reforma tributária avance.
O que muda com a reforma
A principal mudança envolve o fim da chamada ineficiência fiscal da estrutura da Itaúsa. Atualmente, a holding paga tributos sobre receitas financeiras que deixarão de existir quando o novo modelo tributário entrar em vigor.
Com a criação do regime CBS e IBS, a receita financeira deixará de ser tributada. Como resultado, a linha de imposto sobre receita tende a zerar a partir de 2027.
Segundo o banco, essa distorção gera cerca de R$ 700 milhões por ano em perdas. Portanto, sua eliminação melhora diretamente o lucro e a percepção de valor da companhia.
Por que pode superar o Itaú
O JP Morgan elevou o preço-alvo da ITSA4 para R$ 17,50. A projeção implica retorno total próximo de 26%, sendo cerca de 18% de valorização mais dividend yield de aproximadamente 7,5%.
Além disso, parte relevante do desconto ocorre pela dupla tributação dentro da estrutura societária. A Itaúsa possui participação indireta no Itaú, e quase metade dos fluxos de JCP sofre tributação adicional.
Outro possível catalisador é um eventual IPO da Aegea, que poderia aumentar a liquidez dos ativos e destravar valor hoje reconhecido apenas pelo valor contábil.