Atraso no suporte

Raízen (RAIZ4) despenca no crédito e Fitch revela o erro que agravou a crise

Agência diz que apoio de Cosan e Shell demorou e rebaixamento virou inevitável.

Raízen (RAIZ4)
Foto: Reprodução.
  • Rebaixamento de oito níveis ocorreu por atraso no suporte financeiro dos controladores
  • Prêmio dos títulos superou 1.000 pontos-base indicando estresse elevado
  • Recuperação do rating depende de aporte real e redução da dívida

A Raízen (RAIZ4) sofreu um dos rebaixamentos de crédito mais severos recentes após a Fitch cortar a nota em oito níveis. Segundo a agência, o principal motivo não foi apenas a dívida elevada, mas a demora dos controladores em efetivar suporte financeiro concreto.

Enquanto Cosan e Shell discutiam um aporte, a percepção de risco aumentou. Como consequência, investidores passaram a exigir prêmios muito maiores para financiar a companhia, pressionando títulos e ampliando temores sobre uma possível reestruturação.

Por que o rating caiu tanto

A Fitch afirmou que esperava um apoio rápido e suficiente para estabilizar a situação financeira. Porém, como o compromisso não se materializou no tempo considerado adequado, a agência decidiu reposicionar a nota para nível profundamente especulativo.

Além disso, a agência tomou uma medida rara: realizou dois cortes no mesmo dia, em 9 de fevereiro. A S&P também rebaixou a empresa, reforçando a deterioração da confiança dos credores.

Com isso, a empresa precisou contratar assessores financeiros para estudar alternativas. O movimento elevou ainda mais a preocupação do mercado sobre liquidez e capacidade de pagamento.

O tamanho do problema financeiro

O prêmio exigido pelos investidores para manter os títulos ultrapassou 1.000 pontos-base, nível normalmente associado a estresse financeiro severo. Mesmo após promessa recente de capitalização, a Fitch afirmou que a proposta não difere do que já vinha sendo dito há meses.

Relatos indicam possível aporte entre R$ 1,5 bilhão e R$ 3,5 bilhões da Shell, além de cerca de R$ 1 bilhão da Cosan. Ainda assim, a agência considera que apenas vender ativos, como a operação na Argentina, não resolveria o problema estrutural de endividamento.

Para a Fitch, a melhora do rating dependerá diretamente de redução da alavancagem e de maior clareza sobre o plano financeiro para os próximos 12 meses.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.