
- Margens vieram melhores que o esperado pelo mercado
- Receita caiu e indicou desaceleração operacional
- Valuation elevado aumenta sensibilidade das ações
A WEG (WEGE3) divulgou seu balanço do 4T25 e confirmou um cenário que o mercado já temia. A companhia continua muito eficiente, entretanto o ritmo de crescimento começou a enfraquecer, o que explica a reação negativa das ações após a divulgação.
O lucro líquido ficou em R$ 1,59 bilhão, queda anual de 6,3%, enquanto investidores passaram a olhar menos para a qualidade do negócio e mais para a capacidade da empresa continuar expandindo resultados nos próximos anos.
Margem segura a percepção
Primeiro, o dado mais positivo veio da rentabilidade. O Ebitda somou R$ 2,29 bilhões e a margem atingiu 22,4%, acima do mesmo período do ano anterior, mostrando eficiência operacional consistente.
Além disso, a companhia manteve bom controle de custos e mix de produtos. Por isso, parte dos analistas avaliou que o pior cenário esperado para a rentabilidade não se confirmou neste trimestre.
Ainda assim, o mercado não reagiu positivamente porque, embora a margem esteja preservada, o valuation da empresa depende mais do crescimento do que da eficiência atual.
Crescimento virou a preocupação
O problema apareceu na receita. O faturamento caiu 5,3%, para R$ 10,25 bilhões, abaixo das projeções, com destaque negativo para o mercado brasileiro, onde houve retração de 12,2%.
No exterior houve crescimento em dólar, porém o câmbio reduziu o impacto positivo nos números consolidados. Ao mesmo tempo, a demanda por equipamentos industriais e projetos de energia mostrou desaceleração global.
Com isso, o lucro por ação recuou cerca de 6%, algo raro para a empresa. Como o papel negocia perto de 30 vezes lucro, qualquer sinal de crescimento menor passa a afetar diretamente a percepção do investidor.