
- Crédito imobiliário e agrícola pode ficar mais caro
- Investimentos em CRI, CRA, LCI e LCA podem perder atratividade
- Mercado teme redução de recursos para economia real
Voltaram a circular no mercado financeiro discussões sobre uma nova tentativa do governo de tributar aplicações hoje isentas. A proposta em estudo envolveria a cobrança de IOF sobre CRI, CRA, LCI e LCA, instrumentos fundamentais para financiar imóveis e o agronegócio.
O Ministério da Fazenda não comentou o tema, porém a ausência de negativa reforçou a leitura de que análises internas podem estar em andamento. Assim, investidores passaram a precificar risco regulatório nos papéis de crédito privado.
Setores podem sentir primeiro
Especialistas avaliam que a mudança afetaria diretamente o custo de captação das empresas. Como esses títulos canalizam recursos do mercado de capitais para economia real, a tributação tende a encarecer financiamentos.
No setor imobiliário, incorporadoras apontam impacto imediato. O aumento do custo do capital reduziria novos projetos, pois o financiamento ficaria mais caro para construtoras e compradores.
Além disso, projeções do setor indicam queda relevante na demanda. Estimativas sugerem redução de 9% a 24% no número de famílias aptas a financiar imóveis, atingindo principalmente a classe média.
Investidor e mercado de capitais também entram no risco
Para o mercado financeiro, o problema vai além da rentabilidade. A eventual tributação diminuiria a atratividade dos papéis, reduzindo o volume de recursos disponíveis para crédito.
Como consequência, bancos e empresas precisariam buscar fontes mais caras de financiamento. Isso poderia elevar juros ao tomador final e pressionar investimentos produtivos.
Ainda há preocupação adicional. Caso a cobrança alcance estoques antigos, gestores temem venda em massa desses títulos, criando volatilidade e afetando todo o mercado de capitais.