
- Geração atinge 3.942 GWh, com salto forte no despacho térmico
- Produção de gás chega a 0,51 bcm, com operação mais eficiente
- Ação sobe mais de 120%, e valuation indica pouco espaço para alta
A Eneva (ENEV3) entregou um 1T26 com forte melhora operacional, impulsionada pelo aumento expressivo do despacho térmico e maior produção de gás. Os números vieram acima do esperado pelo mercado.
Apesar disso, o relatório do Santander aponta que o potencial de alta das ações é limitado no curto prazo, após uma valorização expressiva nos últimos meses.
Geração dispara e despacho mais que quadruplica
A Eneva registrou geração total de 3.942 GWh no 1T26, impulsionada principalmente pelo maior uso das térmicas no sistema .
O destaque ficou para o nível de despacho médio, que saltou para 33%, contra apenas 8% no 1T25, evidenciando forte mudança no cenário operacional .
Alguns ativos tiveram desempenho ainda mais forte:
- Parnaíba atingiu despacho de 54%
- Jaguatirica II chegou a 77%
- Porto de Sergipe I gerou 938 GWh no trimestre
No complexo Parnaíba, a geração somou 2.127 GWh, com disponibilidade próxima de 100% em diversas unidades, indicando alta eficiência operacional.
Gás cresce e operação se normaliza
No upstream, a produção de gás natural alcançou 0,51 bcm no trimestre, sendo:
- 0,45 bcm em Parnaíba
- 0,06 bcm no Amazonas
O aumento reflete diretamente a maior demanda das térmicas, em linha com o despacho elevado.
Outro ponto relevante foi a normalização operacional. A usina Parnaíba V, que operava com apenas 45% de disponibilidade, voltou para 100% ao final de março, eliminando um risco importante para os próximos trimestres .
Já no segmento solar, o ativo Futura 1 gerou 352 GWh bruto, mas ainda sofreu impacto de cortes, com 52 GWh de energia frustrada, embora em nível menor que períodos anteriores .
Ação sobe 121% e upside fica limitado
Mesmo com o forte desempenho operacional, o valuation começa a pressionar. A ação acumula alta de 121,5% em 12 meses, negociando próxima da máxima histórica .
O preço-alvo do Santander é de R$ 26,60, abaixo da cotação atual de R$ 27,14, indicando potencial limitado de valorização .
As projeções financeiras mostram volatilidade:
- Receita estimada de R$ 13,6 bilhões em 2026
- EBITDA de R$ 5,6 bilhões
- Lucro líquido de R$ 634 milhões
- Dívida líquida de R$ 17,3 bilhões
Além disso, o múltiplo P/L projetado de 82x para 2026 reforça a percepção de esticamento do papel.
Entre os riscos, o banco destaca dependência do despacho térmico, preços de energia e demanda por gás.