
- Margens sobem para até R$ 240/m³, com melhora forte no trimestre
- Vibra gera até R$ 800 milhões de caixa, enquanto Ultrapar consome capital
- Setor entra em ciclo positivo, mas depende de disciplina e mercado equilibrado
O setor de distribuição de combustíveis no Brasil deve entregar um primeiro trimestre forte em 2026, com avanço relevante de margens e volumes para Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), segundo prévia do Santander.
O cenário foi impulsionado por melhora nas condições de mercado, maior disciplina competitiva e avanço das importações, o que elevou a rentabilidade ao longo do trimestre, especialmente em março.
Margens disparam e volumes crescem no setor
O banco projeta margens EBITDA ajustadas de cerca de R$ 240/m³ para Vibra e R$ 230/m³ para Ipiranga, níveis acima do 4T25 e indicando recuperação consistente .
Além disso, os volumes também devem crescer:
- Vibra: cerca de 8,7 milhões de m³, alta de 4% anual
- Ipiranga (Ultrapar): cerca de 5,8 milhões de m³, também com +4% YoY
O avanço reflete expansão de rede, novos clientes B2B e maior fiscalização no setor, que reduziu irregularidades e melhorou a dinâmica competitiva.
Outro ponto relevante foi a melhora no sourcing de combustíveis, que elevou a rentabilidade no fim do trimestre e deve continuar beneficiando o setor no 2T26.
Vibra lidera geração de caixa; Ultrapar sente pressão
A Vibra deve entregar um trimestre robusto, com EBITDA de R$ 2,3 bilhões, alta de 14% anual, e lucro líquido estimado em R$ 754 milhões .
O fluxo de caixa livre (FCFE) deve ficar próximo de R$ 800 milhões, mesmo com impacto negativo de R$ 500 milhões em capital de giro, reforçando a geração operacional .
Já a Ultrapar também deve crescer forte, com:
- EBITDA de R$ 2,07 bilhões (+75% YoY)
- Lucro líquido de R$ 682 milhões (+105% YoY)
Por outro lado, o fluxo de caixa deve ser negativo em cerca de R$ 100 milhões, pressionado por maior necessidade de capital de giro devido ao aumento das importações.
Momentum positivo segue, mas riscos permanecem
O relatório mantém visão positiva para o setor, com expectativa de continuidade do ganho de margens no 2T26, impulsionado por normalização do capital de giro e ambiente mais equilibrado .
Ainda assim, alguns riscos seguem no radar:
- maior competição no setor
- dependência de importações
- volatilidade de preços de combustíveis
- possíveis mudanças regulatórias
Mesmo com o cenário construtivo, o desempenho das ações pode depender da execução operacional e da manutenção dessas margens ao longo do ano.