Viabilidade do negócio

Minerva (BEEF3) pode fechar capital, mas dívida bilionária ameaça plano

Possível OPA dos controladores ganha força após queda das ações, porém custo do financiamento preocupa analistas.

Minerva (BEEF3)
Foto: Reprodução
  • Minerva (BEEF3): controladores estudam possível OPA para fechar capital
  • Operação pode custar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,3 bilhões
  • Juros altos e alavancagem são os principais obstáculos para o negócio

A Minerva (BEEF3) entrou no radar do mercado após rumores de que seus controladores avaliam uma oferta pública de aquisição (OPA) para fechar o capital da companhia. A operação poderia envolver a compra de mais de 45% das ações em circulação e movimentar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,3 bilhões.

Segundo a Genial Investimentos, a estratégia faz sentido diante do forte desconto das ações, mas existe um obstáculo relevante que pode comprometer a viabilidade do negócio.

Desconto na Bolsa favorece tese

As ações da Minerva acumulam queda de cerca de 26% em 2026, enquanto negociam com desconto expressivo em relação ao preço-alvo médio do mercado.

Na visão da Genial, os investidores ainda não incorporaram totalmente os potenciais ganhos da aquisição dos ativos da Marfrig na América do Sul, o que poderia justificar uma tentativa dos controladores de recomprar a companhia em um momento de baixa avaliação.

Além disso, o fechamento de capital reduziria custos regulatórios e permitiria uma integração operacional mais longa, sem a pressão constante do mercado.

Juros altos são principal barreira

Apesar da lógica estratégica, a corretora avalia que o maior desafio está no financiamento da operação.

A Minerva encerrou o primeiro trimestre com alavancagem de 2,7 vezes o Ebitda, enquanto enfrenta pressão sobre margens devido ao aumento do preço do boi gordo.

Para a Genial, captar até R$ 2,3 bilhões em novas dívidas em um cenário de juros elevados poderia piorar a percepção dos investidores sobre a estrutura financeira da companhia.

O relatório destaca que uma eventual participação da SALIC, investidora saudita da empresa, poderia reduzir esse risco ao aportar recursos via capital próprio, diminuindo a necessidade de endividamento adicional.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.