
- BofA afirma que a Argentina já alinhou dois dos três fatores para um ciclo virtuoso econômico.
- Exportações cresceram 21,5% e fortaleceram as reservas internacionais do país.
- O principal desafio agora é transformar estabilidade em crescimento sustentável do PIB.
A Argentina pode estar entrando em uma nova fase econômica após anos de crise. Segundo análise do Bank of America (BofA), o governo de Javier Milei já conseguiu alinhar dois dos três pilares necessários para colocar o país em um ciclo virtuoso de crescimento sustentável.
De acordo com o banco, o forte ajuste fiscal promovido por Milei e o avanço das exportações estão ajudando a reduzir a inflação, fortalecer as contas externas e melhorar a percepção de risco do país. Agora, o desafio é transformar essa estabilidade em crescimento consistente do PIB.
Exportações disparam e ajudam a economia
As exportações argentinas cresceram 21,5% nos quatro primeiros meses do ano na comparação anual, impulsionadas principalmente pelos setores de mineração, energia e agronegócio. Ao mesmo tempo, o saldo energético acumulou um avanço de US$ 9 bilhões nos últimos 12 meses.
Esse desempenho permitiu uma forte entrada de dólares no país e ajudou o Banco Central argentino a reforçar suas reservas internacionais. Para o BofA, a melhora reduz a vulnerabilidade cambial e diminui o risco de uma nova espiral inflacionária.
Além disso, as agências de classificação de risco começaram a reconhecer os avanços. A S&P e a Fitch elevaram recentemente a nota soberana da Argentina, enquanto o mercado espera novos movimentos positivos nos próximos meses.
O que ainda falta para completar o ciclo virtuoso
Apesar dos avanços, o BofA destaca que o terceiro “planeta” ainda não se alinhou: o crescimento econômico. Na avaliação dos analistas, o país precisa transformar a estabilização macroeconômica em expansão do investimento e da atividade produtiva.
A inflação também continua em trajetória de desaceleração. Após atingir níveis extremos nos últimos anos, o índice mensal voltou a mostrar tendência de queda, reforçando a confiança do mercado nas reformas econômicas implementadas pelo governo Milei.
Caso o PIB volte a crescer de forma sustentável, o banco acredita que a Argentina poderá consolidar um ambiente mais favorável para investimentos, crédito e geração de empregos, encerrando um ciclo de instabilidade que marcou a economia do país por décadas.