
- Natura (NATU3) teve recomendações rebaixadas por Itaú BBA e Bradesco BBI após piora da operação brasileira.
- Bancos apontam problemas de estoque, execução e maior concorrência digital como principais desafios.
- JPMorgan manteve recomendação de compra, mas também reconheceu riscos para a recuperação da companhia.
A Natura (NATU3) passou a enfrentar uma postura mais cautelosa de grandes bancos após sinalizar um segundo trimestre de 2026 mais fraco no Brasil. Depois da atualização operacional da companhia, Itaú BBA e Bradesco BBI rebaixaram suas recomendações para neutra, enquanto o JPMorgan manteve recomendação de compra, mas reconheceu uma piora relevante na execução.
O principal motivo para a revisão das análises foi a queda mais intensa do que o esperado na receita da operação brasileira, além de problemas de abastecimento, dificuldades na gestão de estoques e o avanço da concorrência nos canais digitais.
Bancos cortam projeções e ficam mais cautelosos
O Itaú BBA reduziu sua recomendação para market perform e manteve preço-alvo de R$ 10. Segundo o banco, a operação brasileira, principal fonte de lucro da companhia, continua enfrentando dificuldades de planejamento de demanda e vendas para consultoras, o que pode retardar a recuperação dos resultados.
Na mesma linha, o Bradesco BBI também rebaixou a recomendação para neutra e fixou preço-alvo de R$ 10. Para os analistas, embora a Natura mantenha marcas fortes e boa geração de caixa no longo prazo, ainda faltam sinais consistentes de melhora operacional.
Além disso, ambas as instituições destacam que o ambiente de juros elevados aumenta a importância do controle da dívida e limita o espaço para uma recuperação mais rápida da rentabilidade.
JPMorgan segue otimista, mas alerta para riscos
O JPMorgan manteve recomendação overweight para a Natura, com preço-alvo de R$ 14, apoiado no potencial de geração de caixa da companhia. Ainda assim, o banco reconheceu que os números preliminares ficaram abaixo das expectativas.
Segundo a instituição, a queda da receita superou as estimativas do mercado, enquanto problemas relacionados ao abastecimento de produtos e à implantação do novo sistema SAP ainda não foram totalmente solucionados.
Enquanto isso, o Goldman Sachs manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 13, avaliando que a deterioração da operação brasileira ofuscou o bom desempenho das demais operações na América Latina.