Nada bom

Ânima (ANIM3) despenca 33% após compra da FMU; entenda por que mercado reagiu mal

Aquisição foi bem avaliada do ponto de vista estratégico, mas aumento da dívida e preço pago pelo ativo assustaram investidores.

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  • ANIM3 caiu 32,75% após o anúncio da compra da FMU por R$ 410 milhões.
  • O mercado reagiu ao aumento da alavancagem e ao preço considerado elevado da aquisição.
  • Apesar da queda, a maioria dos bancos manteve recomendação de compra para as ações.

As ações da Ânima (ANIM3) despencaram 32,75%, encerrando o pregão a R$ 1,93, após o anúncio da compra da FMU por R$ 410 milhões. Apesar de bancos reconhecerem o potencial estratégico da aquisição, o mercado reagiu negativamente ao aumento da alavancagem e ao múltiplo considerado elevado da operação.

A aquisição envolve uma das instituições de ensino mais tradicionais de São Paulo, mas ocorre em um momento de juros elevados, fator que amplia as preocupações dos investidores com o endividamento da companhia.

Dívida maior pesa sobre ANIM3

Segundo o Itaú BBA, a alavancagem líquida ajustada da Ânima deve subir de 2,39 vezes para cerca de 2,73 vezes após a conclusão da operação. Para analistas, esse aumento torna a companhia mais dependente da geração de caixa e da captura das sinergias prometidas.

O Bradesco BBI também avalia que o preço pago representa um prêmio elevado frente aos múltiplos do setor. Além disso, parte relevante das receitas da FMU está concentrada em cursos EAD e híbridos, segmento que pode enfrentar mudanças regulatórias.

Na mesma linha, Morgan Stanley e JPMorgan afirmam que o aumento da dívida tende a ser mal recebido pelo mercado em um ambiente de juros elevados, justamente quando investidores esperavam uma redução do endividamento da companhia.

Bancos seguem otimistas no longo prazo

Apesar da forte reação negativa das ações, a maior parte das instituições financeiras manteve recomendação de compra para ANIM3.

Nesse sentido, o Goldman Sachs destacou a qualidade da FMU e o potencial de ganhos operacionais, embora também tenha apontado preocupação com a alocação de capital.

Ademais, Bradesco BBI, Morgan Stanley e Itaú BBA reiteraram recomendação de compra, com preços-alvo entre R$ 5,50 e R$ 7, enquanto o JPMorgan permaneceu neutro.

Desse modo, para os bancos, o sucesso da operação dependerá principalmente da capacidade da Ânima de integrar a FMU e reduzir a alavancagem nos próximos anos.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.