
O ouro está cotado a US$ 4.085 por onça-troy e voltou a perder força nesta quinta-feira, devolvendo parte da valorização que havia levado o metal acima de US$ 4.140 no pregão anterior. A correção ocorre principalmente porque o mercado passou a incorporar um cenário mais restritivo para os juros dos Estados Unidos. O petróleo Brent voltou a atingir US$ 100 por barril, enquanto o dólar se fortaleceu e os rendimentos dos títulos americanos avançaram, combinação que aumenta o custo de oportunidade de manter ouro e reduz o espaço para uma valorização mais consistente no curto prazo.
O principal vetor por trás desse movimento é a inflação. A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo e aumentou o receio de que os custos de energia mantenham a inflação americana elevada por mais tempo. Em apenas 1 dia, a probabilidade atribuída pelo mercado a uma alta dos juros dos Estados Unidos em setembro passou de 68% para aproximadamente 80%. Essa mudança é particularmente importante para o ouro porque juros mais altos elevam a remuneração dos títulos americanos e tornam esses ativos relativamente mais competitivos diante de um metal que não oferece rendimento periódico.
A cotação em US$ 4.085 também mostra que o risco geopolítico, sozinho, não tem sido suficiente para sustentar novas máximas. O mesmo conflito que aumenta a incerteza internacional também encarece o petróleo e reforça expectativas de inflação e juros maiores. Por isso, o efeito atual é diferente de momentos em que uma escalada internacional produz uma valorização imediata do ouro. Desta vez, o mercado precisa equilibrar o aumento do risco com uma política monetária potencialmente mais restritiva, o que ajuda a explicar a devolução de parte dos ganhos recentes.
Para os próximos meses, a tendência é de volatilidade elevada e maior dificuldade para o ouro seguir uma trajetória linear de valorização. O cenário-base ainda permite que o metal permaneça próximo dos níveis atuais enquanto crescimento, inflação e juros não apresentarem uma mudança mais clara. Uma desaceleração mais forte da economia americana ou uma redução das expectativas de alta dos juros poderia devolver força ao ouro e abrir espaço para níveis próximos de US$ 4.500. Por outro lado, petróleo persistentemente elevado, inflação resistente e novos aumentos dos juros podem manter a cotação pressionada e recolocar a região dos US$ 4 mil no centro das negociações”, Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas.