
- JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) dispararam após os EUA anunciarem a reabertura gradual da fronteira ao gado mexicano.
- JPMorgan vê a medida como um importante catalisador para melhorar as margens dos frigoríficos.
- Analistas afirmam que a recuperação do setor será gradual, já que a oferta de gado continuará limitada no curto prazo.
As ações da JBS (JBSS32) e da MBRF (MBRF3) registraram forte alta após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciar que iniciará a reabertura gradual da fronteira para a importação de gado vivo do México. A medida foi interpretada pelo mercado como um importante catalisador para o setor de carne bovina.
Na sessão da segunda-feira (27), os papéis da MBRF avançaram 7,08%, encerrando o pregão a R$ 15,89, enquanto as ações da JBS negociadas na Bolsa de Nova York dispararam 10,34%, refletindo a expectativa de melhora das operações nos Estados Unidos.
Reabertura pode aliviar escassez de gado
O embargo às importações mexicanas estava em vigor há mais de um ano e foi imposto para conter a disseminação da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo. Antes da restrição, o México exportava, em média, mais de 1 milhão de cabeças de gado por ano para os Estados Unidos.
Segundo o JPMorgan, a retomada das importações tende a reduzir, ainda que gradualmente, a escassez de animais enfrentada pelos frigoríficos americanos, que operam com o menor rebanho bovino do país em cerca de 75 anos.
Na avaliação do banco, cada aumento de 1 ponto percentual na margem Ebitda das operações de carne bovina nos Estados Unidos pode elevar o Ebitda consolidado da JBS (JBSS32) em 4,6% e o da MBRF (MBRF3) em 5,4%.
Bancos veem melhora, mas recuperação será gradual
Apesar da reação positiva do mercado, analistas avaliam que os efeitos da medida devem aparecer aos poucos. A reabertura ocorrerá de forma gradual e o fluxo histórico de importações dificilmente será retomado antes de 2027.
O Bradesco BBI considera a notícia positiva para os frigoríficos, mas ressalta que ela não elimina o cenário de oferta restrita de gado nos Estados Unidos, uma vez que a recomposição do rebanho americano ainda deve levar vários anos.
Na mesma linha, o Itaú BBA afirma que a decisão pode favorecer uma recuperação marginal das margens de processamento, mas destaca que uma melhora mais consistente dependerá da virada do ciclo pecuário norte-americano e do aumento estrutural da oferta de animais.