
- Shein registrou prejuízo de US$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro do ano anterior.
- O fim da isenção tarifária nos EUA reduziu as vendas e elevou os custos da companhia.
- O mercado avalia que o IPO em Hong Kong pode alcançar um valuation inferior ao inicialmente esperado.
A Shein divulgou pela primeira vez seus resultados financeiros e revelou um cenário mais desafiador às vésperas de sua aguardada oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong. A varejista de moda registrou prejuízo líquido de US$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de US$ 395 milhões obtido no mesmo período do ano anterior.
O resultado foi impactado pelo fim da isenção tarifária para pequenos pacotes nos Estados Unidos, principal mercado da empresa, além de um ajuste contábil relacionado às ações preferenciais conversíveis.
Tarifas derrubam vendas nos Estados Unidos
Segundo o prospecto preliminar apresentado à Bolsa de Hong Kong, o fim da chamada regra de minimis aumentou os custos de importação e reduziu as vendas da companhia no mercado americano.
Com a mudança, produtos enviados da China para consumidores dos Estados Unidos passaram a enfrentar tarifas entre 10% e 87,5%, pressionando a operação da empresa.
Como consequência, a receita da Shein nos EUA caiu 14,3%, passando de US$ 2,38 bilhões para US$ 2,04 bilhões no primeiro trimestre. A companhia afirma que as vendas começaram a se estabilizar após reajustes de preços, mas admite que mudanças regulatórias seguem entre os principais riscos para o negócio.
IPO pode ter valuation menor
Os resultados aumentaram as dúvidas sobre o valuation que a Shein conseguirá alcançar em sua estreia na Bolsa de Hong Kong.
Segundo informações da Reuters, a empresa esperava ser avaliada entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, mas o impacto das tarifas, a desaceleração das vendas e o ambiente regulatório mais rígido podem reduzir o apetite dos investidores.
Além dos Estados Unidos, a companhia também acompanha mudanças nas regras para importações de baixo valor na Europa, outro mercado estratégico que pode pressionar seu crescimento nos próximos anos.