
- BC-Br cai 0,2% em outubro, contra expectativa de alta.
- Selic em 15% mantém pressão sobre a atividade econômica.
- Indústria e serviços recuam e puxam o indicador para baixo.
A atividade econômica brasileira iniciou o quarto trimestre com desempenho pior que o esperado. O IBC-Br caiu 0,2% em outubro, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
O resultado contrariou a expectativa do mercado, que projetava alta de 0,10%, e reforçou a leitura de desaceleração da economia sob juros elevados.
Segundo recuo seguido
A queda de outubro foi a segunda consecutiva, após recuo de 0,19% em setembro, número revisado pelo Banco Central. Assim, o indicador acumula dois meses no campo negativo.
Na abertura setorial, apenas a agropecuária apresentou alta, com avanço de 3,1% no mês. Ainda assim, o setor não conseguiu compensar as perdas dos demais segmentos.
A indústria recuou 0,7%, enquanto os serviços caíram 0,2%. Excluindo a agropecuária, o IBC-Br teve retração mais forte, de 0,3%.
Contraste com dados do IBGE
Os números do Banco Central contrastam com os dados do IBGE divulgados anteriormente. Em outubro, o varejo subiu 0,5%, atingindo o maior nível em sete meses.
Além disso, a produção industrial avançou 0,1%, embora abaixo do esperado. Já o volume de serviços cresceu 0,3%, superando levemente as projeções.
Na comparação anual, o IBC-Br subiu 0,4%, enquanto o acumulado em 12 meses mostra alta de 2,5%, em dados não dessazonalizados.
Juros altos seguem no radar
O PIB avançou apenas 0,1% no terceiro trimestre, o resultado mais fraco desde o fim de 2024. Diante disso, o BC manteve a Selic em 15% ao ano na última reunião.
A autoridade monetária indicou que pretende manter os juros elevados por um período prolongado. O objetivo segue sendo trazer a inflação para a meta.
Segundo o Boletim Focus, o mercado projeta crescimento do PIB de 2,25% em 2025 e de 1,80% em 2026, cenário que reforça cautela.