
- Correios ainda precisam de R$ 8 bilhões até 2027 e avaliam novo socorro estatal.
- Empréstimo de R$ 12 bilhões garante fôlego imediato, mas não resolve o problema estrutural.
- Plano prevê PDV, fechamento de unidades e mudanças profundas na operação.
Os Correios avaliam se será necessário um novo empréstimo ou aporte da União mesmo após a contratação de R$ 12 bilhões em crédito com bancos, operação firmada para evitar o colapso financeiro da estatal. Segundo o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, o plano de recuperação ainda aponta uma demanda adicional de R$ 8 bilhões até 2027.
Dessa forma, a direção analisa se a próxima etapa de captação ocorrerá via operação de crédito ou aporte direto do Tesouro, embora, por ora, não haja negociações em andamento com instituições financeiras.
Empréstimo garante fôlego imediato
Os R$ 12 bilhões já contratados envolvem Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa, com garantia da União.
Do total, R$ 10 bilhões devem ser liberados em 2025 e os R$ 2 bilhões restantes em 2026.

No curto prazo, o foco é recuperar a liquidez. Assim, os recursos servirão para quitar salários, precatórios, contratos e dívidas em atraso, permitindo que a estatal volte à adimplência.
Segundo Rondon, essa etapa é crucial para restabelecer a qualidade operacional, destravar receitas e reconstruir a confiança do mercado.
Risco de rombo bilionário em 2026
Apesar do socorro financeiro, a diretoria alerta para um cenário crítico. Sem ajustes estruturais, os Correios podem registrar desequilíbrio de até R$ 23 bilhões em 2026.
O principal gargalo está na estrutura de custos. Atualmente, 62% das despesas são com pessoal, percentual que pode chegar a 72% ao incluir precatórios.
Além disso, 90% dos custos têm perfil fixo, o que reduz a capacidade de reação da empresa.
Ao mesmo tempo, a estatal sofre com defasagem tecnológica, baixa produtividade e perda de market share, especialmente após a virada do modelo de cartas para encomendas.
Plano de retomada muda entregas e estrutura
O Plano de Reestruturação 2025–2027 será executado em três fases. A primeira busca recuperar o caixa até março de 2026.
Já a reorganização, prevista para 2026 e 2027, inclui revisão de pessoal, parcerias, redesenho de operações e gestão de ativos, com impacto estimado em R$ 7,4 bilhões.
Entre as medidas anunciadas estão PDV para até 15 mil funcionários, fechamento de cerca de mil unidades, venda de imóveis ociosos e parcerias com o setor privado.
Enquanto isso, a estatal enfrenta greve parcial, negociações no TST e atrasos nas entregas, o que amplia a pressão operacional e financeira.