Aperto estatal

Crise dos Correios pode custar até R$ 23 bi; saiba o que vem por aí

Plano de reestruturação prevê risco de rombo de até R$ 23 bilhões em 2026 e necessidade adicional de caixa até 2027.

(Reprodução: Fernando Frazão/Agência Brasil)
(Reprodução: Fernando Frazão/Agência Brasil)
  • Correios ainda precisam de R$ 8 bilhões até 2027 e avaliam novo socorro estatal.
  • Empréstimo de R$ 12 bilhões garante fôlego imediato, mas não resolve o problema estrutural.
  • Plano prevê PDV, fechamento de unidades e mudanças profundas na operação.

Os Correios avaliam se será necessário um novo empréstimo ou aporte da União mesmo após a contratação de R$ 12 bilhões em crédito com bancos, operação firmada para evitar o colapso financeiro da estatal. Segundo o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, o plano de recuperação ainda aponta uma demanda adicional de R$ 8 bilhões até 2027.

Dessa forma, a direção analisa se a próxima etapa de captação ocorrerá via operação de crédito ou aporte direto do Tesouro, embora, por ora, não haja negociações em andamento com instituições financeiras.

Empréstimo garante fôlego imediato

Os R$ 12 bilhões já contratados envolvem Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa, com garantia da União.

Do total, R$ 10 bilhões devem ser liberados em 2025 e os R$ 2 bilhões restantes em 2026.

Correios contrataram R$ 12 bilhões com bancos e garantia da União para recuperar liquidez, pagar obrigações, retomar a adimplência e reconstruir a confiança do mercado.
Correios contrataram R$ 12 bilhões com bancos e garantia da União para recuperar liquidez, pagar obrigações, retomar a adimplência e reconstruir a confiança do mercado. Foto: Tiago Queiroz/Estadão.

No curto prazo, o foco é recuperar a liquidez. Assim, os recursos servirão para quitar salários, precatórios, contratos e dívidas em atraso, permitindo que a estatal volte à adimplência.

Segundo Rondon, essa etapa é crucial para restabelecer a qualidade operacional, destravar receitas e reconstruir a confiança do mercado.

Risco de rombo bilionário em 2026

Apesar do socorro financeiro, a diretoria alerta para um cenário crítico. Sem ajustes estruturais, os Correios podem registrar desequilíbrio de até R$ 23 bilhões em 2026.

O principal gargalo está na estrutura de custos. Atualmente, 62% das despesas são com pessoal, percentual que pode chegar a 72% ao incluir precatórios.

Além disso, 90% dos custos têm perfil fixo, o que reduz a capacidade de reação da empresa.

Ao mesmo tempo, a estatal sofre com defasagem tecnológica, baixa produtividade e perda de market share, especialmente após a virada do modelo de cartas para encomendas.

Plano de retomada muda entregas e estrutura

O Plano de Reestruturação 2025–2027 será executado em três fases. A primeira busca recuperar o caixa até março de 2026.

Já a reorganização, prevista para 2026 e 2027, inclui revisão de pessoal, parcerias, redesenho de operações e gestão de ativos, com impacto estimado em R$ 7,4 bilhões.

Entre as medidas anunciadas estão PDV para até 15 mil funcionários, fechamento de cerca de mil unidades, venda de imóveis ociosos e parcerias com o setor privado.

Enquanto isso, a estatal enfrenta greve parcial, negociações no TST e atrasos nas entregas, o que amplia a pressão operacional e financeira.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.