
- BC endurece regras e discute ajustes no FGC para evitar novas crises.
- Rombo do Banco Master pressiona o FGC e atinge bancos e investidores.
- Regulação falhou ao permitir crescimento acelerado e risco excessivo no Master.
A liquidação do Banco Master abriu um alerta inédito no mercado financeiro e expôs uma conta bilionária que, segundo economistas, será dividida entre instituições e investidores. Com mais de R$ 41 bilhões em CDBs cobertos, o impacto já consome um terço de todo o caixa do FGC, que agora exige reforço das instituições associadas.
O economista Roberto Troster resume a gravidade: “Todos vamos pagar um pouco desse prejuízo”. A crise ocorre enquanto autoridades investigam o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraude de R$ 12,2 bilhões.
Pressão sobre o FGC e impacto imediato
O caso se tornou o maior resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos, superando até o episódio do Bamerindus. A estrutura, que protege aplicações de até R$ 250 mil, agora enfrenta o maior teste desde sua criação.
Como parte da cobrança, bancos como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) precisarão ampliar os aportes obrigatórios.
Contudo, especialistas explicam que o repasse desse custo deve inevitavelmente atingir o investidor. Isso ocorre porque a contribuição ao fundo reduz o retorno de aplicações cobertas, afetando diretamente quem compra CDBs, LCIs e LCAs. A taxa, hoje de cerca de 0,01%, tende a subir no curto prazo.
Mesmo assim, analistas destacam que o mecanismo evitou uma crise sistêmica. O ressarcimento aos clientes já está programado, reforçando o papel do FGC como principal amortecedor em colapsos bancários.
Erros de supervisão e crescimento suspeito
A análise do balanço revela um salto anormal nos ativos do Master, que passaram de R$ 36 bilhões para R$ 63 bilhões em apenas um ano. O banco captava oferecendo CDBs com até 160% do CDI, enquanto comprava ativos arriscados e pouco líquidos. Para especialistas, esse desequilíbrio já justificava intervenção antes do colapso.
O economista Alexandre Chaia, do Insper, afirma que os problemas refletem falhas anteriores, como o ataque hacker ao sistema financeiro e os escândalos recentes envolvendo fundos de investimento. Segundo ele, o Banco Central deverá impor um “freio de arrumação” nos próximos anos.
Ainda assim, ambos os especialistas concordam que, apesar do atraso, a intervenção evitou um contágio maior e barrou a fusão entre Master e BRB, operação também investigada pela Polícia Federal.
Futuro do FGC e possíveis mudanças
Após o desastre, cresce a discussão sobre reduzir a cobertura do FGC ou limitar o pagamento apenas ao valor principal investido. A proposta, porém, divide economistas e pode desestimular a captação de bancos médios, afetando diretamente a competição no setor.
Hoje, a garantia do fundo permite que instituições menores acessem bilhões por meio de plataformas como XP, BTG Pactual e Nubank, responsáveis por vender grande parte dos títulos do Master. Para Troster, reduzir o limite segurado pode ser razoável, mas cortar juros seria um erro que fragilizaria o mecanismo de proteção.
A partir de 2026, instituições altamente alavancadas terão de investir o excedente em títulos públicos, uma tentativa do CMN de fechar brechas que permitiram a escalada de riscos vista no caso Master.