
O Brasil não chegará a uma situação de insolvência em 2027 — mas o cenário será grave e deixará um enorme desafio para quem assumir o Planalto. O economista Felipe Salto avalia que o país caminha para uma trajetória de dívida pública acima de 100% do PIB, impulsionada por juros altos, baixo crescimento e contas públicas cada vez mais engessadas.
Segundo ele, o atual governo ampliou despesas obrigatórias e reduziu o espaço para investimentos, enquanto o novo arcabouço fiscal ainda não mostrou resultados concretos. O próximo presidente herdará uma estrutura de gasto insustentável, com risco de que o ajuste fiscal precise ser imediato em 2027 para evitar uma crise de confiança no país.
Dívida em alta e juros pesados
O endividamento brasileiro vem crescendo de forma consistente e pode ultrapassar 100% do PIB até o fim da década. A combinação de taxa real de juros elevada, estagnação econômica e baixo controle das contas públicas pressiona o custo da dívida e limita a capacidade de reação do Tesouro Nacional.
Mesmo com reservas internacionais robustas e um caixa confortável, o Brasil está em um ciclo de déficits primários sucessivos e dificuldade de estabilizar a dívida. A manutenção de gastos crescentes com previdência, saúde e educação, sem contrapartida de receitas permanentes, agrava o quadro fiscal.
Salto afirma que, sem reformas estruturais, a despesa obrigatória continuará engolindo a discricionária, e o país corre o risco de paralisar investimentos públicos já em 2027.
Manobras contábeis e aumento da arrecadação
A falta de modernização orçamentária também pesa. A estrutura de gastos da União permanece rígida e ineficiente, com vinculações e indexações que limitam qualquer tentativa de ajuste. O economista aponta que, sem reformas que repensem o modelo de despesas, não haverá espaço para políticas públicas efetivas nem para recompor investimentos essenciais.
Além disso, o governo Lula tem recorrido a aumentos de arrecadação e manobras contábeis para fechar o caixa, em vez de cortar despesas. Essa estratégia adia o problema, mas amplia o custo futuro, já que o endividamento cresce mais rápido do que o PIB.
O próximo presidente, portanto, terá de promover um ajuste fiscal duro e impopular — reduzindo gastos e revisando subsídios — caso queira evitar um cenário de “abismo fiscal” e fuga de investidores.
O desafio de 2027
O novo governo que assumir em 2027 herdará um país com baixo crescimento potencial, juros ainda elevados e pouco espaço orçamentário. A estabilização da dívida exigirá credibilidade fiscal, reformas e controle de despesas, além de um programa de modernização do Estado que estimule o investimento produtivo.
Felipe Salto alerta que, se as medidas não forem tomadas logo no início do próximo mandato, o país poderá entrar em um ciclo de baixo crescimento e deterioração fiscal permanente. Em suas palavras, “o Brasil não está insolvente, mas está ficando sem fôlego”.
Sem ajustes imediatos, o governo que vier após Lula enfrentará um cenário de risco fiscal crescente, perda de confiança do mercado e pressão constante sobre juros e inflação.
Resumo:
- O Brasil não estará insolvente em 2027, mas herdará um quadro fiscal crítico e de alto endividamento.
- A dívida pública pode ultrapassar 100% do PIB, exigindo reformas urgentes no início do próximo governo.
- O sucessor de Lula enfrentará um “abismo fiscal”, com gastos obrigatórios em alta, juros elevados e pouco espaço para investimento.