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Gasolina volta a ficar 10% mais cara no Brasil e Abicom acusa Petrobras de “subsídio cruzado”

Associação aponta que preço da gasolina supera paridade internacional, enquanto o diesel segue mais barato; Petrobras estaria compensando perdas entre os combustíveis.

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  • Gasolina está 10% mais cara que no mercado internacional, enquanto o diesel segue 1,4% mais barato.
  • Abicom acusa a Petrobras de praticar subsídio cruzado entre combustíveis.
  • Petróleo perto de US$ 60 reflete o alívio geopolítico e pressiona os preços internos para baixo.

A gasolina no Brasil voltou a ficar 10% mais cara que no mercado internacional, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O novo descompasso ocorre mesmo com o petróleo perto de US$ 60 por barril. Esse cenário, em tese, deveria reduzir os preços internos.

O relatório da entidade indica que, para alcançar a paridade de importação (PPI), a gasolina nas refinarias da Petrobras poderia cair R$ 0,28 por litro. Já o diesel subiria R$ 0,11. A estatal, porém, mantém ambos estáveis desde os reajustes de junho e maio, respectivamente.

“Subsídio cruzado” entre gasolina e diesel

De acordo com o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, a Petrobras estaria praticando um “subsídio cruzado”: compensando as perdas com o diesel, vendido abaixo do preço internacional, com os ganhos da gasolina, que segue acima do valor de referência.

Se a Petrobras reduzir o preço da gasolina, terá de elevar o diesel para equilibrar a defasagem”, explicou Araújo. Essa estratégia, segundo ele, mantém artificialmente os preços e distorce a competitividade do setor de importação.

O último reajuste da gasolina ocorreu em junho, com redução de R$ 0,17 por litro, enquanto o diesel teve corte de R$ 0,16 em maio. Desde então, o Cenário Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) confirma a defasagem de 10% na gasolina e 1,4% no diesel, reforçando o diagnóstico da Abicom.

Preço do petróleo e fatores geopolíticos

O preço internacional do petróleo segue pressionado por expectativas de acordo entre Rússia e Ucrânia, o que tem reduzido os valores de referência. Nesta sexta-feira, o barril do tipo Brent manteve-se próximo dos US$ 60, reflexo do enfraquecimento das tensões geopolíticas.

Segundo Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a tendência de queda dos preços reflete o “arrefecimento do conflito” e a possibilidade de um novo encontro diplomático entre o presidente dos EUA e o da Rússia.

Se o acordo de paz avançar, o petróleo pode permanecer abaixo dos US$ 65, o que tende a pressionar ainda mais os preços internos dos combustíveis”, avaliou o especialista.

Impacto e perspectivas no mercado interno

Com o mercado interno desalinhado da paridade internacional, especialistas alertam para uma possível reação negativa de importadores privados, que enfrentam margens mais estreitas diante da defasagem. Isso pode afetar a concorrência e a distribuição regional de combustíveis no curto prazo.

Ao mesmo tempo, consumidores seguem sem previsão de alívio nas bombas, já que a Petrobras ainda não sinalizou novos reajustes. A estatal mantém a política de preços internos com base em condições de mercado, mas sem aplicar a paridade de forma automática, como ocorria antes de 2023.

O cenário de queda global do petróleo, somado à política doméstica de contenção, pode manter o preço da gasolina pressionado artificialmente até o fim do ano, caso não haja revisão nos valores das refinarias.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.