Fechou em alta

IPCA-15 surpreende para baixo e reforça inflação dentro da meta em 2025

Prévia oficial desacelera em dezembro, fica abaixo das projeções e mantém inflação anual sob controle no Brasil.

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  • IPCA-15 sobe 0,25% em dezembro e fecha 2025 com alta de 4,41% em 12 meses
  • Cenário reforça manutenção dos juros elevados no curto prazo
  • Inflação encerra o ano abaixo do teto da meta e confirma desaceleração

O IPCA-15 subiu 0,25% em dezembro, resultado abaixo do esperado pelo mercado e suficiente para manter a inflação acumulada em 12 meses em 4,41%. Com isso, o indicador encerra 2025 abaixo do teto da meta, que é de 4,5%, considerando o sistema de meta contínua.

Além disso, o dado confirma a desaceleração dos preços ao longo do ano, após o índice ter atingido 5,49% em abril, o pico de 2025. A leitura mensal também ficou abaixo da projeção de 0,27%, reforçando um cenário de inflação mais controlada no curto prazo.

Desaceleração da inflação ao longo do ano

O resultado em 12 meses mostrou perda de força da inflação em relação a novembro, quando o acumulado era de 4,50%. Assim, o índice recua gradualmente e consolida um movimento de desaceleração observado desde o segundo trimestre.

Enquanto isso, na comparação anual, o IPCA-15 ficou abaixo do avanço de 4,71% registrado em 2024. Com isso, a inflação medida pela prévia oficial encerra 2025 em patamar menor do que o observado no ano anterior.

Além disso, o desempenho reforça a avaliação de que os preços seguem sensíveis ao aperto monetário. A política de juros elevados continua a influenciar o consumo e a demanda, ajudando a conter pressões inflacionárias.

Impactos da política monetária restritiva

A desaceleração ocorre em meio a uma Selic em 15%, mantida pelo Banco Central como estratégia para trazer a inflação ao objetivo. Portanto, o resultado do IPCA-15 vai ao encontro da sinalização de manutenção dos juros por um período prolongado.

Com o sistema de meta contínua, a inflação só é considerada fora do alvo se ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos. Assim, o dado de dezembro reduz o risco imediato de descumprimento formal da meta.

No entanto, o BC avalia que a convergência plena ainda levará tempo. Em relatório recente, a autoridade monetária indicou que a inflação deve atingir o centro da meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028.

Composição do índice em dezembro

No recorte mensal, o grupo Transportes teve o maior impacto positivo, com alta de 0,69%, puxada pela elevação de 12,71% nas passagens aéreas. Além disso, os combustíveis subiram 0,26%, com destaque para o etanol.

Enquanto isso, Vestuário avançou 0,69% e Despesas Pessoais registraram alta de 0,46%. Esses grupos contribuíram para sustentar o índice no mês, apesar da desaceleração geral.

Por outro lado, Alimentação e Bebidas, o grupo de maior peso, subiu apenas 0,13%, com queda de 0,13% na alimentação no domicílio. Assim, os alimentos ajudaram a conter uma alta mais forte do indicador.

Pressões acumuladas em 2025

No acumulado do ano, o maior avanço foi observado em Habitação, com alta de 6,69%, influenciada pela elevação de 11,95% na energia elétrica residencial. Esse item teve o maior impacto individual sobre a inflação de 2025.

Além disso, Alimentação e Bebidas subiu 3,57% no ano, com destaque para o café moído, que acumulou alta expressiva de 41,84%. Assim, alguns itens específicos ainda pressionaram o orçamento das famílias.

Apesar disso, a inflação geral permaneceu dentro do intervalo de tolerância da meta. Portanto, o resultado reforça a leitura de que o controle inflacionário avançou, mesmo com choques pontuais.

Expectativas para juros e inflação

As projeções do mercado indicam inflação de 4,33% em 2025 e 4,06% em 2026, segundo o boletim Focus. Com isso, o cenário aponta para continuidade da desinflação ao longo do próximo ano.

Enquanto isso, a expectativa é de que a Selic termine 2026 em 12,25%, abaixo do patamar atual. Assim, o mercado começa a precificar um ciclo gradual de cortes nos juros.

Além disso, a perspectiva de inflação mais fraca no início de 2026 abre espaço para ajustes na política monetária. No entanto, o BC mantém postura cautelosa e não antecipa movimentos.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.